Barbudo dispara contra Fávaro e diz que ex-ministro “não deu vez ao produtor rural” em Mato Grosso

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Várzea Grande,29/08/2026

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Barbudo dispara contra Fávaro e diz que ex-ministro “não deu vez ao produtor rural” em Mato Grosso

Deputado federal afirma que atuação do senador à frente do Ministério da Agricultura foi “pífia”, critica Plano Safra e cobra maior defesa dos produtores mato-grossenses

Redação
Barbudo dispara contra Fávaro e diz que ex-ministro “não deu vez ao produtor rural” em Mato Grosso Barbudo dispara contra Fávaro e diz que ex-ministro “não deu vez ao produtor rural” em Mato Grosso

O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos), candidato à reeleição, fez duras críticas ao senador Carlos Fávaro (PSD), que comandou o Ministério da Agricultura e Pecuária entre janeiro de 2023 e março de 2026 no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao MidiaNews, Barbudo afirmou que a gestão de Fávaro não atendeu aos interesses dos produtores rurais de Mato Grosso e classificou sua atuação como uma das mais decepcionantes para o agronegócio do Estado.

Segundo o parlamentar, embora Fávaro seja produtor rural e conheça a realidade do setor, sua passagem pelo ministério teria beneficiado apenas grupos ligados ao poder político, deixando de lado os agricultores e pecuaristas que enfrentam dificuldades no campo.

“A não ser aos cupinchas do poder. É cantado em verso e prosa que ele foi um péssimo ministro para Mato Grosso. Chamamos o Plano Safra na Frente Parlamentar da Agropecuária e na bancada ruralista de ‘Plano Sofra’. Uma mentira, uma numerologia, demora para sair o recurso. Quando chega o período de plantio, o dinheiro ainda não foi liberado”, afirmou.

Críticas ao Plano Safra

Barbudo direcionou parte de suas críticas à política de financiamento agrícola do Governo Federal. Para ele, o Plano Safra anunciado durante a gestão de Fávaro não teria alcançado os produtores da forma prometida.

O deputado argumenta que a demora na liberação dos recursos prejudica diretamente o planejamento das propriedades rurais, especialmente em Mato Grosso, um dos principais estados produtores de grãos do país.

Na avaliação do parlamentar, a burocracia e a lentidão dos processos acabam comprometendo investimentos, compra de insumos e a capacidade de produção dos agricultores.

“O produtor precisa do dinheiro no momento do plantio. Não adianta anunciar bilhões e bilhões se o recurso não chega quando ele precisa. Isso gera insegurança e dificulta a atividade rural”, criticou.

“Os produtores não tiveram vez”

Questionado sobre a afirmação de que Fávaro teria beneficiado apenas aliados políticos e grandes grupos econômicos, Barbudo afirmou que o problema estaria relacionado à estrutura de poder existente em Brasília.

Segundo ele, os pequenos e médios produtores continuam sendo os mais prejudicados pelas políticas públicas federais.

“Não é bem assim. Você não tem noção do que um ministro da Agricultura comanda sentado naquela cadeira. Os negócios de exportação do Brasil inteiro passam pela mesa dele, inclusive dos grandes produtores de Mato Grosso. Quando falei em cupinchas, me referi às pessoas do sistema. Nós somos a base da pirâmide. Os produtores rurais comuns não têm vez”, declarou.

A declaração reforça uma das principais bandeiras defendidas pelo deputado ao longo do mandato: a defesa do agronegócio e a redução da interferência estatal nas atividades produtivas.

Fiscalização ambiental entra na mira

Outro ponto criticado por Barbudo foi a atuação dos órgãos ambientais federais, especialmente o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O parlamentar afirmou que as regras ambientais e os sistemas de monitoramento por satélite têm criado obstáculos para quem trabalha no campo.

Na visão dele, produtores rurais estariam sendo penalizados sem a devida oportunidade de defesa.

“Com as normas do Ibama e do ICMBio, o agricultor não pode se mexer por conta do satélite. Se você fizer uma fogueira no quintal para queimar lixo, vem uma multa pelo correio. Muitas vezes a pessoa nem sabe o que aconteceu e já recebe uma penalidade. Isso não é ajudar o agro”, disse.

Barbudo também questionou a postura de Fávaro diante dessas situações e afirmou que o então ministro deveria ter atuado com mais firmeza em defesa do setor produtivo.

“Essas são as atitudes do ministro da Agricultura do nosso Estado? Não defendeu o produtor. As reuniões que o Fávaro fez com a bancada ruralista foram pouquíssimas”, declarou.

Relação com a Frente Parlamentar da Agropecuária

Durante a entrevista, o deputado também mencionou o relacionamento entre o então ministro e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), considerada a principal representação política do agronegócio brasileiro no Congresso Nacional.

Segundo Barbudo, a interlocução entre Fávaro e os parlamentares ligados ao setor teria sido insuficiente.

“Liga para o Pedro Lupion, que é presidente da FPA, e pergunta qual foi a atuação do nosso ministro. Foi pífia”, afirmou.

A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne centenas de deputados e senadores e exerce forte influência sobre as pautas relacionadas ao campo, incluindo questões tributárias, ambientais e fundiárias.

Exportações e abertura de mercados

Apesar das críticas, Barbudo reconheceu que a gestão de Carlos Fávaro registrou avanços na abertura de mercados internacionais para os produtos brasileiros.

Durante sua passagem pelo Ministério da Agricultura, o Brasil ampliou o acesso a diversos mercados estrangeiros, fortalecendo as exportações do agronegócio nacional.

No entanto, para o deputado, os resultados positivos na área comercial não compensam a falta de atenção aos problemas enfrentados pelos produtores dentro do país.

“Liberou exportação para vários países e isso é importante. Tem que fazer mesmo. Mas quem produz o que é exportado são os produtores brasileiros. O que foi feito para ajudar aqueles agricultores do Rio Grande do Sul que sofreram com enchentes, incêndios e ficaram endividados?”, questionou.

Ele citou ainda relatos de dificuldades enfrentadas por produtores gaúchos para renegociar financiamentos após as tragédias climáticas registradas nos últimos anos.

Comparação com regimes socialistas

Em tom mais político, Barbudo associou a atuação do Governo Federal a práticas que, segundo ele, lembrariam modelos adotados por países socialistas.

O deputado afirmou que existe um tratamento desigual entre apoiadores e opositores do governo.

“A antiga União Soviética deixou um exemplo: para os amigos do rei tudo, para os inimigos do rei os rigores da lei”, declarou.

A fala reforça o posicionamento conservador do parlamentar, que tem sido um dos principais críticos do presidente Lula e das políticas implementadas pela atual gestão federal.

Recado direto a Fávaro

Ao encerrar as críticas, Barbudo direcionou uma mensagem ao senador Carlos Fávaro, sugerindo que ele reveja suas posições políticas e sua relação com o Governo Federal.

“Respeito o senhor como homem, mas acredito que deveria repensar seus conceitos. Não concordo com o apoio que dá ao presidente Lula e às políticas que estão sendo conduzidas pelo atual governo”, afirmou.

Disputa eleitoral acirra embates

As declarações ocorrem em meio ao cenário eleitoral de 2026, que tem intensificado os embates entre representantes do agronegócio e aliados do Governo Federal em Mato Grosso.

Carlos Fávaro busca a renovação de seu mandato no Senado, enquanto Nelson Barbudo tenta permanecer na Câmara dos Deputados. Ambos disputam o apoio de um dos eleitorados mais influentes do Estado: os produtores rurais.

O agronegócio representa parcela significativa da economia mato-grossense e costuma desempenhar papel decisivo nas eleições estaduais e federais. Por isso, temas como crédito rural, exportações, infraestrutura, regularização fundiária e legislação ambiental continuam no centro do debate político.

Enquanto Barbudo acusa Fávaro de não ter defendido adequadamente os interesses do setor produtivo, aliados do senador destacam os resultados obtidos durante sua gestão no Ministério da Agricultura, especialmente a ampliação de mercados internacionais para produtos brasileiros e o fortalecimento das exportações.

A troca de críticas evidencia que o agronegócio deverá ocupar posição central na disputa eleitoral em Mato Grosso nos próximos meses.




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