Abilio defende ausência de Flávio Bolsonaro em debates e diz que candidato precisará de aliados no 2º turno
Prefeito de Cuiabá afirma que evitar confrontos no primeiro turno pode facilitar articulação com candidatos que poderão apoiar Flávio Bolsonaro em uma eventual segunda etapa da eleição presidencial
Abilio defende ausência de Flávio Bolsonaro em debates e diz que candidato precisará de aliados no 2º turno DA REDAÇÃO
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu a decisão do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) de não participar dos primeiros debates eleitorais do primeiro turno. Para o prefeito, a estratégia evita confrontos desnecessários com candidatos que poderão se tornar importantes aliados em uma eventual disputa de segundo turno.
A avaliação foi feita após o primeiro debate presidencial, realizado pela Rede Bandeirantes no domingo (23), que não contou com a participação dos dois nomes apontados como protagonistas da disputa, Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Abilio, a ausência de Flávio nos primeiros confrontos pode ser uma estratégia política para preservar o relacionamento com outros candidatos que disputam o mesmo campo eleitoral e que poderão ser procurados posteriormente em busca de apoio.
“Ele está certo de não participar desses primeiros debates. Muitos dos que estão participando estão buscando o ataque. Só que o Flávio Bolsonaro vai precisar do apoio dessas pessoas no segundo turno”, afirmou o prefeito.
Estratégia para evitar desgaste
Na avaliação de Abilio, a participação de Flávio nos debates neste momento poderia colocá-lo como principal alvo dos demais candidatos, principalmente diante da ausência de Lula.
O prefeito considera que eventuais ataques públicos poderiam criar dificuldades para uma futura composição política.
“Chega o segundo turno, ele vai precisar ter o apoio desses candidatos. Fica constrangedor. A melhor forma é não participar do debate e, no segundo turno, buscar o voto desses eleitores. É o melhor para ele”, declarou.
A estratégia defendida por Abilio parte da possibilidade de que a eleição presidencial seja definida em duas etapas. Nesse cenário, os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno podem se tornar decisivos para os dois concorrentes que avançarem.
Flávio tenta evitar confronto com adversários
Entre os candidatos citados no debate político estão Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).
Flávio Bolsonaro já afirmou que considera esses nomes não como adversários diretos, mas como candidatos que disputam uma parcela semelhante do eleitorado e que podem, dependendo do resultado do primeiro turno, participar das articulações para a segunda etapa.
A postura representa uma tentativa de evitar que a disputa entre os candidatos de oposição se transforme em um confronto irreversível.
Na prática, a estratégia busca preservar pontes políticas. Caso Flávio avance para o segundo turno, poderá precisar negociar com lideranças e candidatos que hoje estão concorrendo contra ele.
Abilio cita pesquisas eleitorais
O prefeito também comparou o desempenho de Flávio Bolsonaro e Lula nas pesquisas eleitorais e afirmou que os dois aparecem em patamares semelhantes.
“Você percebe que o Flávio e o Lula estão praticamente quase nas mesmas perspectivas, nos mesmos percentuais”, disse.
Para Abilio, a composição do eleitorado no segundo turno dependerá do candidato que cada grupo político apoiará depois da primeira etapa.
Ele avaliou, por exemplo, que parte dos eleitores de Ronaldo Caiado poderia migrar para Lula, enquanto os eleitores de Romeu Zema tenderiam a rejeitar o petista.
Sobre os demais candidatos, Abilio afirmou que o comportamento dos eleitores dependerá das circunstâncias e das posições assumidas durante a campanha.
Debate sem Lula e Flávio
O primeiro debate presidencial da atual disputa eleitoral foi marcado pela ausência dos dois nomes que concentram grande parte das atenções no cenário nacional: Lula e Flávio Bolsonaro.
Com os principais líderes fora do confronto, os demais candidatos tiveram maior espaço para apresentar propostas e fazer críticas aos adversários.
A ausência, porém, também abriu espaço para discussões sobre a estratégia eleitoral dos dois principais grupos.
No caso de Flávio, seus aliados sustentam que a decisão de não participar dos primeiros debates pode evitar desgaste e permitir que a campanha concentre esforços na consolidação do eleitorado.
Críticos da estratégia, por outro lado, podem argumentar que a ausência reduz a oportunidade de o candidato apresentar suas propostas diretamente ao eleitor e responder aos questionamentos dos adversários.
Mato Grosso aposta em Flávio Bolsonaro
Em Mato Grosso, o PL vem trabalhando para ampliar a votação de Flávio Bolsonaro e transformar o Estado em uma das principais bases eleitorais do candidato.
Abilio Brunini é uma das lideranças políticas do partido que declararam apoio à candidatura.
A mobilização também envolve o setor empresarial. Na semana passada, empresários de Mato Grosso participaram de um almoço com o senador Rogério Marinho (PL), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro.
O encontro teve como objetivo discutir o cenário eleitoral e buscar apoio financeiro para a campanha presidencial.
A movimentação demonstra que o PL pretende utilizar a força política da direita em Mato Grosso para ampliar a vantagem de seu candidato no Estado.
Segundo turno pode mudar completamente a disputa
A estratégia defendida por Abilio ganha importância diante da possibilidade de uma eleição presidencial decidida em dois turnos.
No primeiro turno, os candidatos precisam conquistar votos suficientes para avançar na disputa. No segundo, a dinâmica muda: candidatos derrotados e suas estruturas partidárias passam a ser procurados pelos concorrentes que permanecem na corrida.
Nesse cenário, evitar ataques contra possíveis aliados pode representar uma escolha estratégica.
O problema é que a estratégia também exige equilíbrio. Ao mesmo tempo em que precisa evitar conflitos com adversários que podem se tornar aliados, Flávio Bolsonaro terá de apresentar propostas capazes de conquistar eleitores além de sua base tradicional.
A campanha, portanto, deverá administrar dois movimentos simultaneamente: consolidar o eleitorado que já apoia o candidato e buscar ampliar sua capacidade de diálogo com outros segmentos políticos.
Disputa deve aumentar nos próximos meses
Com a aproximação das etapas decisivas da eleição, a tendência é de aumento da pressão sobre os principais candidatos.
Debates, entrevistas, pesquisas eleitorais e alianças deverão ganhar ainda mais peso na definição das estratégias de campanha.
A decisão de Flávio Bolsonaro de permanecer distante dos primeiros debates coloca seus aliados diante de uma tarefa adicional: explicar ao eleitorado que a ausência faz parte de uma estratégia e não representa falta de disposição para enfrentar os adversários.
Para Abilio Brunini, entretanto, o cálculo é claro: preservar os possíveis aliados agora pode ser mais importante do que vencer confrontos políticos no primeiro turno.
A avaliação do prefeito resume a estratégia em uma questão fundamental para a eleição: se Flávio chegar ao segundo turno, precisará dos votos de quem hoje disputa a mesma eleição contra ele.




COMENTÁRIOS