Tragédia no Himalaia: enchentes deixam 157 mortos e quase 400 desaparecidos entre Nepal e Tibete
Centenas de turistas estrangeiros estão entre os desaparecidos; destruição atingiu vilarejos, estradas, pontes e sistemas de energia
Tragédia no Himalaia: enchentes deixam 157 mortos e quase 400 desaparecidos entre Nepal e Tibete Uma das maiores tragédias naturais registradas este ano na região do Himalaia já deixou pelo menos 157 mortos e centenas de desaparecidos. As fortes enchentes que atingiram áreas de fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, provocaram um cenário de devastação, destruindo comunidades inteiras, arrastando veículos, derrubando pontes e interrompendo o acesso de equipes de resgate às áreas mais afetadas.
De acordo com informações divulgadas pelas autoridades nepalesas nesta terça-feira (26), ao menos 157 corpos foram recuperados após as inundações e deslizamentos de terra que atingiram principalmente o distrito montanhoso de Rasuwa, no Nepal. Do lado chinês da fronteira, as autoridades confirmaram três mortes e 265 pessoas desaparecidas após um grande deslizamento.
A situação preocupa ainda mais devido ao elevado número de turistas e viajantes que estavam na região no momento do desastre. Segundo o Conselho de Turismo do Nepal, um levantamento preliminar aponta que 384 pessoas estão desaparecidas, sendo 291 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses.
Entre os desaparecidos estão viajantes de diversos países, incluindo Índia, Austrália, Reino Unido, África do Sul, Malásia e Países Baixos.
Vilarejos inteiros foram destruídos
Imagens divulgadas por emissoras locais e agências internacionais mostram o tamanho da destruição. Casas foram arrastadas pela correnteza, estradas desapareceram sob a força da água e pontes metálicas foram arrancadas de suas estruturas.
Moradores relataram que bairros inteiros próximos às margens dos rios foram completamente destruídos em poucos minutos.
O agente de saúde Tula Bahadur BK, que atua na região de Rasuwa, descreveu o cenário como devastador.
“Há destruição por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente levados pela água. Cinco parentes meus estão desaparecidos”, relatou à agência Reuters.
As enchentes também afetaram obras de infraestrutura, canteiros de construção e sistemas de distribuição de energia, agravando ainda mais a situação das comunidades isoladas.
Resgate enfrenta dificuldades
As operações de busca e salvamento estão sendo dificultadas pelas condições extremas da região. Helicópteros do Exército do Nepal não conseguiram pousar em diversas áreas afetadas devido ao elevado volume de água e ao risco de novos deslizamentos.
As localidades de Syapru Besi e Timure, duas das mais atingidas pela tragédia, permanecem praticamente isoladas. O rio Bhote Koshi, que corta a região, transbordou muito além de seu curso normal, tornando impossível o acesso terrestre e aéreo em vários pontos.
O administrador distrital Narendra Pariyar alertou para a possibilidade de um número ainda maior de vítimas.
“Pode haver grandes perdas humanas e materiais. Estamos orientando todos os moradores próximos às margens do rio a buscarem áreas mais elevadas imediatamente”, afirmou.
Mistério sobre a origem da enchente
As autoridades ainda investigam as causas exatas da inundação repentina.
Especialistas trabalham com diferentes hipóteses, incluindo o rompimento de barreiras naturais formadas por deslizamentos ou o esvaziamento abrupto de lagos glaciais, fenômeno que tem se tornado mais frequente em regiões montanhosas devido às mudanças climáticas.
Em 2025, uma enchente semelhante no mesmo rio foi atribuída justamente ao rompimento de um lago glacial, liberando milhões de metros cúbicos de água em poucas horas.
Além disso, a região havia registrado recentemente atividade sísmica e deslizamentos de terra, fatores que podem ter contribuído para o bloqueio temporário de rios e posterior liberação repentina do volume acumulado.
Autoridades mantêm alerta máximo
Governos do Nepal e da China mantêm equipes mobilizadas em busca de sobreviventes. Entretanto, as condições climáticas continuam desfavoráveis, elevando o risco de novos deslizamentos e dificultando o avanço das operações.
As autoridades locais pediram que moradores deixem áreas de risco e permaneçam atentos aos alertas de emergência emitidos pelos órgãos de monitoramento.
Enquanto isso, familiares de turistas e moradores desaparecidos aguardam notícias em meio à incerteza sobre o número real de vítimas.
Especialistas alertam que o total de mortos pode aumentar significativamente nos próximos dias, à medida que equipes de resgate consigam acessar regiões ainda isoladas pelas enchentes.
A tragédia já é considerada uma das mais graves registradas na região do Himalaia nos últimos anos e reacende o debate internacional sobre os impactos das mudanças climáticas em áreas de montanha, onde o derretimento acelerado de geleiras aumenta o risco de enchentes repentinas e desastres naturais de grande magnitude.
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