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Várzea Grande,29/08/2025

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Ulisses Cedrão

A República em Xeque: Quando as Instituições se Afastam do Povo

A descredibilização das instituições brasileiras avança, reacendendo a chama de um ciclo histórico perigoso: o da ruptura social diante da omissão estatal.

Caroline Gutjahr
A República em Xeque: Quando as Instituições se Afastam do Povo

A insatisfação popular cresce diante do alto custo do Estado, da corrupção e dos privilégios, alimentando o clamor por mudanças profundas. Estaríamos revivendo o prelúdio de rupturas já vistas na história do Brasil?


Nas últimas décadas, o Brasil tem testemunhado o esfacelamento gradual da confiança popular nas instituições que sustentam a República. Poder Executivo, Legislativo e Judiciário  os três pilares da Constituição de 1988 enfrentam um processo contínuo de descredibilização aos olhos da sociedade. Não por acaso: escândalos de corrupção, super salários, conchavos políticos, decisões judiciais polêmicas e um Estado inchado e ineficiente têm imposto um custo insustentável à população brasileira, que, por sua vez, paga caro literalmente com impostos altíssimos e serviços precários.

Esse distanciamento entre instituições e povo não é novidade. Em nossa história, momentos marcantes de ruptura ocorreram quando o sistema político vigente deixou de atender aos interesses coletivos. No período do Brasil Império, por exemplo, o autoritarismo e o distanciamento da monarquia em relação às demandas populares contribuíram para a Proclamação da República em 1889. Mais tarde, a insatisfação com a chamada "República Velha", marcada pelo coronelismo e pela exclusão política, culminou na Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas.

Durante o regime militar (1964–1985), o autoritarismo e a repressão provocaram décadas de resistência civil até a redemocratização. Cada uma dessas rupturas foi precedida por um longo período de desgaste das estruturas estatais, de escândalos políticos e de desilusão generalizada com o sistema  cenário muito semelhante ao que enfrentamos hoje.

A volta da descrença

Hoje, a descrença nas instituições não é apenas um sentimento isolado. Ela se reflete em protestos, aumento da abstenção eleitoral, crescimento de discursos extremistas e uma polarização que mina qualquer possibilidade de coesão social. A Constituição, outrora símbolo de esperança democrática, tornou-se alvo constante de críticas por parte de um povo que se sente excluído dos benefícios da República, mas arcando com todos os seus custos.

Não é de se estranhar que, em meio à crise econômica, desemprego, insegurança e precariedade nos serviços públicos, parte da sociedade comece a ventilar  ainda que de forma tímida  a ideia de novos sistemas de governo, seja em forma de um “novo pacto federativo”, intervenção militar ou outras propostas mais radicais.

O alto custo de um Estado que não entrega

Enquanto isso, o Estado brasileiro continua caro, ineficiente e desigual. Uma pequena elite política e burocrática usufrui de super salários, privilégios, aposentadorias especiais e uma estrutura de poder que opera muitas vezes em benefício próprio. Paralelamente, milhões de brasileiros vivem à margem, presos em um ciclo de miséria e desesperança. A sensação é de que o sistema foi capturado por interesses particulares, tornando-se insustentável para a maioria.

Não se trata apenas de insatisfação com um governo ou partido específico. Trata-se de um desgaste institucional profundo, onde a percepção é de que nada muda  ou pior, só piora. A corrupção, longe de ser um mal isolado, é vista como elemento estrutural do Estado brasileiro.

Reflexão final: quando o povo se cansa

O Estado precisa ouvir a voz da população. A história do Brasil mostra que, quando o povo se cansa, ele é capaz de derrubar regimes inteiros. O que hoje é murmúrio pode, em pouco tempo, tornar-se clamor. E o que é clamor pode se transformar em ruptura. A insistência em manter um modelo falido, baseado na exploração fiscal da classe trabalhadora para sustentar privilégios, é um convite ao colapso institucional.

Ainda há tempo para reverter o curso da história, mas isso exige mudança de atitude, reformas estruturais e compromisso com o bem comum. Caso contrário, a República como tantas outras formas de governo no passado  pode entrar para a lista dos sistemas que o povo brasileiro rejeitou por não mais representá-lo.



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