Ulisses Cedrão
Brasil à Deriva: Governo Federal Fracassa Diante da Tempestade Econômica
Enquanto prepara terreno para crise inédita, Brasília se omite no enfrentamento às tarifas abusivas dos EUA e da Venezuela.

Inflação, desemprego e recessão à vista com tarifas norte-americanas de 50 % e venezuelanas até 77 %, o Brasil choca-se com efeitos devastadores e revela fragilidades na condução econômica.
Analistas alertam que o Brasil pode enfrentar retração de até 1,49 % do PIB e perder 1,3 milhão de empregos com as tarifas anunciadas pelos EUA, que poderão representar impactos de até US$ 31,7 bilhões na próxima década. O governo federal segue sem apresentar reformas estruturais, protelando ajustes urgentes em meio à deterioração da confiança internacional.
O Fundo Monetário Internacional projeta crescimento do PIB brasileiro em apenas 2,3 % em 2025, queda drástica frente aos 3,4% do ano anterior; novas tarifas poderiam reduzir esse crescimento entre 1,1 e 1,4 pontos percentuais
A partir de 1º de agosto de 2025, os EUA aplicarão tarifas de até 50 % sobre exportações brasileiras, afetando setores-chave como carne, suco de laranja, café e aeronaves levando a perdas estimadas em US$ 1 bilhão apenas na indústria de carne bovina. O setor de citricultura já relata queda de 50% nos preços e ameaças de abandono das plantações pelo país
Economistas alertam que o real pode depreciar ainda mais, impulsionando juros e pressionando a inflação interna cenário agravado por um arcabouço fiscal frágil e sem resposta firme do governo.
Contra-ataque da Venezuela: tarifa inusitada
Surpreendentemente, a Venezuela impôs tarifas entre 15 % e 77 % sobre produtos brasileiros, inclusive em segmentos antes isentos no Mercosul, atingindo exportadores da região Norte sem aviso ou diálogo prévio
A resposta governamental tem sido tímida: medidas paliativas, crédito emergencial e discurso diplomático, mas sem enfrentar energeticamente a crise fiscal nem negociar com firmeza nas arenas internacionais. A Lei de Reciprocidade Comercial permite retaliações, mas sua execução ainda depende de mãos políticas insuficientes e de uma gestão sem rumo claro. Na falta de reformas estruturais e transparência, o Brasil se torna refém de decisões comerciais externas desmoralizando sua posição econômica diante de aliados e rivais.
O Brasil avança em território perigoso: sem reforma fiscal, com dívida crescente e sem defesa eficaz dos exportadores. Se permissivo com tarifas desproporcionais e desarticulado na resposta, o governo federal não só falha com o país, como entrega a soberania comercial nacional a condições impostas por outras potências inclusive pela Venezuela. A crise que se anuncia exige ação, não conversa.
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