Mauro Mendes rebate Dilmar Dal’Bosco e diz que deputado cometeu “erro grave” ao chamá-lo de traidor
Presidente do União Brasil em Mato Grosso afirma ter ficado chateado com declaração de parlamentar e atribui episódio a “desequilíbrio emocional” durante disputa interna sobre sucessão estadual
Mauro Mendes rebate Dilmar Dal’Bosco e diz que deputado cometeu “erro grave” ao chamá-lo de traidor A disputa pelos rumos do União Brasil em Mato Grosso ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (5), quando o ex-governador e presidente estadual da legenda, Mauro Mendes, respondeu publicamente às críticas feitas pelo deputado estadual Dilmar Dal’Bosco durante a convenção partidária realizada no final de julho.
Em entrevista à imprensa, Mauro afirmou que ficou “bastante chateado” ao ser chamado de “traidor” pelo parlamentar e classificou a declaração como um erro motivado por um momento de “desequilíbrio emocional”.
O episódio ocorreu em meio às divergências internas sobre o posicionamento do partido para as eleições de 2026. Enquanto Dilmar defendia o lançamento da candidatura do senador Jayme Campos ao Governo de Mato Grosso, Mauro Mendes trabalhava nos bastidores para consolidar uma aliança entre o União Brasil e o Republicanos, legenda do governador Otaviano Pivetta, que busca a reeleição.
“Claro que eu fiquei chateado. Foi um desequilíbrio emocional dele. Ele errou muito quando falou aquilo”, declarou Mauro Mendes ao comentar as críticas recebidas.
Entenda o conflito
A tensão dentro do União Brasil se intensificou durante a convenção estadual da sigla, realizada no final do mês passado. O evento, que tinha como objetivo discutir estratégias eleitorais e fortalecer a unidade partidária para 2026, acabou evidenciando divergências entre importantes lideranças da legenda.
De um lado, estava o grupo que defende a candidatura do senador Jayme Campos ao Palácio Paiaguás. Jayme é uma das principais lideranças políticas de Mato Grosso e possui forte influência especialmente na Baixada Cuiabana.
Do outro, Mauro Mendes e aliados articulavam uma composição política com o Republicanos, visando fortalecer a candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta.
A divergência gerou debates acalorados e culminou nas declarações de Dilmar Dal’Bosco, que acusou Mauro de agir como “traidor” ao não apoiar um projeto próprio do União Brasil para o Governo do Estado.
Mauro nega traição
Ao rebater as críticas, Mauro Mendes deixou claro que não considera sua postura uma traição ao partido e defendeu que alianças políticas fazem parte do processo democrático.
Segundo ele, o principal objetivo deve ser a construção de um projeto viável para Mato Grosso, independentemente de interesses individuais ou disputas internas.
Nos bastidores, lideranças próximas ao ex-governador afirmam que a estratégia de aproximação com o Republicanos busca garantir maior estabilidade política e ampliar a base de sustentação para as eleições do próximo ano.
A avaliação é que uma aliança robusta entre as duas siglas poderia fortalecer o grupo político atualmente no comando do Estado e aumentar as chances de vitória no pleito de 2026.
Dilmar defende Jayme Campos
Apesar da resposta de Mauro Mendes, Dilmar Dal’Bosco mantém sua posição em defesa do nome de Jayme Campos.
O deputado entende que o senador reúne experiência administrativa, capilaridade política e densidade eleitoral suficientes para liderar uma candidatura competitiva ao Governo do Estado.
Aliados de Jayme argumentam que o União Brasil possui força política para disputar a eleição com candidatura própria, sem necessidade de abrir mão do protagonismo em favor de outro partido.
O grupo também considera que o senador possui histórico consolidado na política mato-grossense, tendo ocupado cargos como prefeito de Várzea Grande, governador de Mato Grosso e senador da República.
Convenção expôs divisões internas
Embora o União Brasil tenha buscado transmitir uma imagem de unidade durante a convenção estadual, os discursos e manifestações de diversas lideranças demonstraram que ainda existem divergências importantes sobre os rumos da legenda.
Analistas políticos avaliam que o episódio envolvendo Mauro Mendes e Dilmar Dal’Bosco evidencia uma disputa mais ampla pelo comando político do grupo que governará Mato Grosso nos próximos anos.
A sucessão estadual tem movimentado lideranças partidárias desde o início do ano e tende a ganhar ainda mais intensidade à medida que o calendário eleitoral se aproxima.
Mauro mira o Senado
Outro fator que influencia as articulações é a pré-candidatura de Mauro Mendes ao Senado Federal.
Após concluir dois mandatos consecutivos à frente do Governo de Mato Grosso, Mauro é apontado como um dos nomes mais fortes para disputar uma das vagas em jogo em 2026.
Sua movimentação política, portanto, não está restrita à sucessão estadual. A construção de alianças também passa pela necessidade de fortalecer um projeto eleitoral que contemple a disputa ao Senado.
Nesse contexto, a aproximação com outras legendas é vista por aliados como uma estratégia natural para ampliar apoios e consolidar uma base eleitoral robusta.
Clima deve permanecer tenso
Apesar da tentativa de minimizar o episódio, as declarações de Mauro Mendes demonstram que as críticas feitas por Dilmar Dal’Bosco deixaram marcas dentro do partido.
A troca de farpas revela que o debate sobre quem deverá liderar o projeto político do União Brasil em 2026 está longe de ser encerrado.
Nos próximos meses, novas reuniões, convenções e negociações deverão definir se a legenda seguirá com candidatura própria ao Governo do Estado ou se formalizará uma composição com outras siglas.
Enquanto isso, lideranças partidárias trabalham para evitar que as divergências internas comprometam a unidade necessária para enfrentar a disputa eleitoral que se aproxima.
Com o cenário ainda indefinido, a sucessão estadual segue aberta e promete ser um dos principais temas da política mato-grossense até o início oficial da campanha.




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