PL libera prefeitos de neutralidade e expõe divisão interna na campanha de Wellington Fagundes em Mato Grosso
Decisão da direção nacional do partido permite que gestores municipais não façam campanha para Wellington Fagundes e Janaina Riva, desde que mantenham neutralidade
PL libera prefeitos de neutralidade e expõe divisão interna na campanha de Wellington Fagundes em Mato Grosso A direção nacional do Partido Liberal (PL) decidiu liberar oficialmente os prefeitos da legenda em Mato Grosso da obrigação de fazer campanha para o senador Wellington Fagundes, candidato ao Governo do Estado, e para a deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado na chapa apoiada pelo partido.
A decisão foi tomada após uma reunião realizada em Brasília e representa uma tentativa da cúpula nacional de conter a crise interna que se intensificou nos últimos dias em torno da aliança entre PL e MDB no estado.
Embora a coligação tenha sido mantida, o acordo reconhece a resistência de parte significativa das lideranças bolsonaristas mato-grossenses à composição firmada para as eleições de 2026.
Ausência de prefeitos já sinalizava desgaste
O enfraquecimento da candidatura de Wellington dentro do próprio partido ficou evidente durante a convenção estadual do PL.
Dos 22 prefeitos filiados à legenda em Mato Grosso, apenas quatro participaram do evento e subiram ao palanque ao lado do senador. A ausência de 18 gestores municipais chamou atenção nos bastidores e foi interpretada como um forte indicativo de insatisfação com a condução das articulações políticas.
Entre os prefeitos que já haviam manifestado apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos) estão lideranças importantes do interior, como:
Cláudio Ferreira, prefeito de Rondonópolis;
Edilson Piaia, prefeito de Campo Novo do Parecis.
A partir da decisão nacional, esses gestores passam a ter respaldo oficial para permanecerem neutros durante a campanha.
Reunião em Brasília encerrou impasse
A definição ocorreu após uma reunião de emergência convocada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Participaram das discussões importantes lideranças da legenda em Mato Grosso, entre elas:
Prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini;
Deputado federal José Medeiros;
Empresário Odílio Balbinotti Filho.
O encontro teve como objetivo evitar um agravamento da crise interna e impedir possíveis rupturas dentro do partido em pleno período eleitoral.
Neutralidade autorizada
Segundo o entendimento firmado, os prefeitos não serão obrigados a subir no palanque de Wellington Fagundes nem de Janaina Riva.
Em contrapartida, a direção nacional estabeleceu uma condição: os gestores devem manter postura de neutralidade, evitando declarações públicas de apoio ao governador Otaviano Pivetta ou ataques à chapa oficial do partido.
A medida busca preservar a unidade institucional da legenda, mesmo diante das divergências internas.
Janaina Riva no centro da crise
Grande parte da insatisfação dentro do PL está relacionada à aliança com o MDB.
A ala liderada por Abilio Brunini e José Medeiros argumenta que o MDB possui histórico de oposição ao bolsonarismo em diversas cidades de Mato Grosso e que a composição com Janaina Riva gera desconforto entre militantes e lideranças conservadoras.
O descontentamento aumentou após aproximações políticas do PL com nomes ligados ao MDB em municípios estratégicos, como:
Eduardo Botelho, em Cuiabá;
Kalil Baracat, em Várzea Grande;
Thiago Silva, em Rondonópolis;
Léo Bortolin, em Primavera do Leste.
Nos bastidores, integrantes do grupo avaliam que a aliança pode gerar desgaste junto ao eleitorado mais identificado com o bolsonarismo.
Grupo de Wellington defende composição
Por outro lado, aliados de Wellington Fagundes sustentam que a parceria com Janaina Riva amplia a competitividade eleitoral da chapa.
Entre os argumentos apresentados estão:
Maior tempo de rádio e televisão;
Ampliação da presença política no interior do estado;
Fortalecimento da estrutura partidária;
Contribuição para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
Para esse grupo, a aliança representa uma estratégia eleitoral necessária para enfrentar a força do projeto liderado por Otaviano Pivetta.
Partido evita ruptura, mas divisão permanece
A decisão de Valdemar Costa Neto evita, ao menos por enquanto, uma ruptura formal dentro do PL de Mato Grosso.
Entretanto, a medida também oficializa um cenário de divisão interna que já vinha sendo observado nos bastidores da política estadual.
Enquanto Wellington Fagundes e Janaina Riva seguem como os candidatos oficialmente apoiados pelo partido, prefeitos e lideranças alinhadas ao grupo de Abilio Brunini ganham liberdade para permanecerem distantes da campanha majoritária sem sofrer punições partidárias.
Cenário segue indefinido
Com a campanha eleitoral se aproximando, a expectativa é que o comportamento dessas lideranças municipais tenha impacto direto na disputa pelo Palácio Paiaguás.
A força política dos prefeitos no interior poderá influenciar o desempenho dos candidatos em diversas regiões do estado, especialmente em municípios onde o apoio das administrações locais costuma desempenhar papel decisivo nas eleições.
O acordo firmado em Brasília encerra momentaneamente a crise, mas deixa evidente que o PL entra na corrida eleitoral dividido entre diferentes estratégias e visões sobre o futuro político de Mato Grosso.




COMENTÁRIOS