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Várzea Grande,30/03/2026

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Possível desmonte do SAMU em Mato Grosso gera alerta de colapso na saúde de urgência

Profissionais denunciam extinção de cargos, uso indevido de recursos e risco iminente de desassistência à população

Redação
Possível desmonte do SAMU em Mato Grosso gera alerta de colapso na saúde de urgência Possível desmonte do SAMU em Mato Grosso gera alerta de colapso na saúde de urgência

A iminente desestruturação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) em Mato Grosso acendeu um alerta grave entre profissionais da saúde. Denúncias apontam para extinção de cargos, uso irregular de recursos públicos e decisões administrativas que podem comprometer toda a rede de urgência e emergência no estado, colocando vidas em risco.

Corpo da matéria

O que deveria ser um modelo de cooperação entre instituições públicas se transformou, segundo profissionais do setor, em um cenário de desequilíbrio e possível desmonte do SAMU em Mato Grosso. O Termo de Cooperação nº 0045/2025, firmado para promover o uso compartilhado de recursos entre o SAMU e o Corpo de Bombeiros Militar (CBM), é alvo de fortes críticas.

Na prática, trabalhadores denunciam que o acordo tem resultado em utilização integral de insumos, medicamentos e equipamentos do SAMU pelo Corpo de Bombeiros, sem qualquer contrapartida financeira. Além disso, equipes médicas e plantões do CBM estariam sendo custeados com recursos originalmente destinados ao serviço de saúde.

O problema vai além da gestão financeira. O Plano de Trabalho Anual (PTA), instrumento essencial que orienta o funcionamento do SAMU com base em indicadores assistenciais e planejamento sanitário, estaria sendo ignorado ou comprometido por decisões que fogem da lógica técnica da saúde pública.

Especialistas alertam que o desvio desses recursos afeta diretamente três pilares fundamentais do serviço: o planejamento operacional, a sustentabilidade financeira e a execução das políticas públicas de saúde.

Demissões e impacto direto na população

A situação se agravou com a não renovação de contratos de 56 profissionais, medida que já começa a produzir efeitos concretos e preocupantes:

Desativação de três bases de suporte básico

Encerramento de duas equipes de motolância

Redução significativa da cobertura territorial

Aumento no tempo de resposta aos atendimentos

Sobrecarga das equipes remanescentes

Na prática, isso significa menos ambulâncias nas ruas, menos profissionais disponíveis e mais demora para socorrer pacientes em estado grave.

Dados operacionais reforçam a gravidade do cenário. Apenas em 2025, o SAMU registrou mais de 121 mil chamadas, resultando em mais de 51 mil atendimentos efetivos. A Central de Regulação, considerada o “cérebro” do sistema, já apresenta sinais de sobrecarga e atrasos no atendimento inicial das ligações.

Com a redução de equipes, a tendência é clara: aumento do tempo-resposta, agravamento de quadros clínicos e crescimento do risco de mortes evitáveis.

Risco de prejuízo milionário e perda de habilitação

Outro ponto crítico levantado pelos profissionais é o risco de perda de habilitação do SAMU junto ao Ministério da Saúde. A desmobilização de bases e a descaracterização do serviço podem gerar consequências severas:

Redução do cofinanciamento federal proporcional à população atendida

Perda de repasses mensais e anuais

Obrigação de devolução de recursos federais, incluindo ambulâncias adquiridas por programas nacionais

Prejuízo milionário aos cofres públicos

Além disso, há questionamentos legais relevantes. O Corpo de Bombeiros não possui competência legal para desmobilizar bases do SAMU ou definir a estrutura de pessoal de um serviço de saúde pública. O termo firmado prevê gestão compartilhada — e não subordinação.

Relatos indicam que decisões unilaterais estariam sendo tomadas, extrapolando os limites do instrumento jurídico e colocando em xeque a legalidade da gestão atual.

Violação de normas do SUS e retrocesso histórico

O cenário descrito por profissionais e especialistas configura, segundo eles, um possível desmonte progressivo do SAMU 192 em Mato Grosso. A situação pode representar:

Violação de normativas do Sistema Único de Saúde (SUS)

Uso indevido de recursos públicos federais

Fragilização da Rede de Atenção às Urgências

Risco concreto de desassistência à população

O impacto é ainda mais grave ao considerar que o serviço está consolidado desde 2007 no estado, sendo parte fundamental da política nacional de urgências e emergências.

Para muitos profissionais, o que está em curso é um retrocesso de quase duas décadas na estrutura de atendimento pré-hospitalar.

Profissionais pedem socorro e intervenção urgente

Diante da gravidade da situação, trabalhadores do SAMU em Mato Grosso elaboraram uma petição formal solicitando medidas urgentes das autoridades federais.

Entre os principais pedidos estão:

Auditoria federal no SAMU/MT

Avaliação da legalidade do Termo de Cooperação nº 0045/2025

Verificação rigorosa do uso de recursos do SUS

Intervenção para garantir conformidade com normas do Ministério da Saúde

Adoção de medidas imediatas para evitar desassistência à população

O sentimento entre os profissionais é de abandono e desespero. Muitos relatam medo de que o sistema entre em colapso, deixando milhares de mato-grossenses sem atendimento de urgência.

Conclusão

O SAMU não é apenas um serviço — é uma linha direta entre a vida e a morte. Qualquer fragilização em sua estrutura impacta diretamente a população, especialmente os mais vulneráveis.

O que está em jogo em Mato Grosso não é apenas uma disputa administrativa, mas a sobrevivência de um sistema essencial de saúde pública. Se nenhuma medida for tomada com urgência, o estado pode enfrentar uma crise sem precedentes na assistência de urgência e emergência.

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