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Várzea Grande,23/08/2026

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Balanço dos 18 meses de Abilio Brunini: Cuiabá sai do discurso de crise para uma gestão marcada por ajuste fiscal, obras, mudanças e disputas políticas

Administração chega à metade do mandato com avanços nas contas públicas e retomada de obras, mas ainda enfrenta desafios em saúde, infraestrutura, transporte e na consolidação de serviços essenciais

Redação
Balanço dos 18 meses de Abilio Brunini: Cuiabá sai do discurso de crise para uma gestão marcada por ajuste fiscal, obras, mudanças e disputas políticas Balanço dos 18 meses de Abilio Brunini: Cuiabá sai do discurso de crise para uma gestão marcada por ajuste fiscal, obras, mudanças e disputas políticas

DA REDAÇÃO

Os primeiros 18 meses da gestão do prefeito Abilio Brunini à frente da Prefeitura de Cuiabá foram marcados por uma combinação de ajuste das contas públicas, reorganização administrativa, retomada de obras, mudanças no secretariado, investimentos em serviços essenciais e forte movimentação política.

Eleito em 2024 para comandar a Capital de Mato Grosso a partir de janeiro de 2025, Abilio assumiu uma prefeitura que apresentava problemas financeiros, contratos questionados, obras paralisadas e uma série de demandas acumuladas em áreas consideradas essenciais pela população.

Ao longo desse período, a administração passou a sustentar um discurso de recuperação financeira e reorganização da máquina pública. Mais recentemente, os números apresentados pela Prefeitura apontaram um cenário bastante diferente daquele encontrado no início do mandato: Cuiabá encerrou o primeiro semestre de 2026 com mais de R$ 250 milhões em caixa e resultado positivo nas contas públicas.

O número, porém, precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo. Ter dinheiro disponível em caixa não significa, necessariamente, que todos os problemas financeiros do município estejam resolvidos. É preciso considerar despesas empenhadas, liquidadas e pagas, restos a pagar, obrigações futuras, precatórios, investimentos e o nível de execução das políticas públicas.

É justamente nesse intervalo entre a promessa de reorganização e os resultados efetivamente entregues que está o balanço dos primeiros 18 meses de Abilio Brunini.


💰 Das dificuldades financeiras ao caixa positivo

Um dos principais argumentos utilizados pela administração desde o início do mandato foi a necessidade de colocar as finanças municipais em ordem.

A Prefeitura passou a adotar medidas de controle de despesas, revisão de contratos, reorganização administrativa e acompanhamento mais rigoroso da execução orçamentária.

O resultado mais expressivo apresentado pela gestão apareceu nos números de 2026.

Cuiabá registrou resultado positivo de aproximadamente R$ 259,8 milhões no primeiro semestre, conforme dados divulgados pela administração.

A receita chegou a cerca de R$ 2,65 bilhões, enquanto as despesas liquidadas ficaram próximas de R$ 2,39 bilhões.

O resultado representa uma diferença significativa entre aquilo que entrou nos cofres públicos e aquilo que foi efetivamente liquidado no período.

Mas existe uma diferença importante entre superávit orçamentário, disponibilidade financeira e dinheiro livre para gastar.

O município possui compromissos permanentes, contratos, salários, encargos, investimentos, fornecedores e outras obrigações que precisam ser considerados.

Por isso, o número de mais de R$ 250 milhões em caixa é positivo do ponto de vista financeiro, mas não deve ser interpretado isoladamente como se significasse que Cuiabá resolveu todos os seus problemas fiscais.

Ainda assim, a evolução representa um dos principais argumentos da atual administração para defender que houve uma mudança na condução das finanças municipais.


📊 A principal marca do governo: controle das despesas

A estratégia adotada por Abilio desde o início do mandato teve forte componente de contenção de gastos.

A administração passou a revisar contratos, reduzir despesas consideradas não prioritárias e reorganizar estruturas internas.

O objetivo declarado era evitar que o município continuasse aumentando compromissos sem possuir capacidade financeira para honrá-los.

Essa política provocou críticas e resistência em alguns setores, especialmente quando medidas de contenção afetaram serviços, contratos ou estruturas administrativas.

Para a Prefeitura, entretanto, o ajuste seria necessário para recuperar a capacidade de investimento do município.

O desafio agora é transformar o equilíbrio financeiro em serviços públicos melhores.

Esse talvez seja o principal teste para a segunda metade do mandato.

Uma prefeitura pode apresentar números fiscais positivos e, ao mesmo tempo, enfrentar reclamações em saúde, infraestrutura, transporte ou atendimento ao cidadão.

Por isso, o desempenho financeiro precisa ser acompanhado pela qualidade dos serviços oferecidos à população.


🏗️ Obras: retomada virou uma das principais vitrines da gestão

Outra frente importante nesses 18 meses foi a tentativa de recuperar obras paralisadas e colocar novos projetos em andamento.

A gestão passou a divulgar a retomada de estruturas que estavam paradas e a conclusão de equipamentos públicos em diferentes áreas.

Entre os setores contemplados estão saúde, educação, esporte e atendimento à população.

A estratégia tem um componente político evidente: obras entregues são um dos instrumentos mais visíveis de avaliação de uma administração.

Diferentemente de medidas administrativas, uma unidade de saúde inaugurada, uma escola reformada ou uma obra de infraestrutura concluída pode ser percebida diretamente pela população.

A Prefeitura também passou a utilizar as entregas como demonstração de que o ajuste fiscal não significaria paralisação dos investimentos.

O grande desafio, porém, é garantir que as obras sejam entregues dentro dos valores previstos, cumpram suas finalidades e permaneçam funcionando adequadamente depois da inauguração.


🏥 Saúde continua sendo um dos maiores desafios

Se existe uma área capaz de determinar a avaliação popular da gestão, essa área é a saúde.

A Prefeitura realizou mudanças na estrutura da Secretaria Municipal de Saúde e promoveu alterações no comando da pasta.

A gestão também passou a anunciar ações para melhorar atendimento, ampliar serviços e reorganizar a rede municipal.

Mas a saúde pública de Cuiabá possui problemas históricos.

Filas, consultas, exames, medicamentos, atendimento nas unidades básicas, estrutura das UPAs e funcionamento da rede de média e alta complexidade continuam exigindo atenção permanente.

A administração terá que demonstrar que o equilíbrio financeiro está efetivamente chegando ao atendimento na ponta.

Não basta aumentar ou controlar orçamento.

O cidadão quer saber se consegue marcar uma consulta, realizar um exame, conseguir medicamento e receber atendimento quando precisa.

Esse será um dos principais indicadores para medir o sucesso do governo até o final do mandato.


🎓 Educação também passou por mudanças

A Educação foi outra área que sofreu mudanças importantes durante os primeiros 18 meses.

A Secretaria Municipal de Educação passou por troca de comando, além de enfrentar questionamentos e investigações relacionados à administração anterior.

A gestão também anunciou ações envolvendo escolas, estruturas físicas e políticas voltadas aos estudantes.

O município possui uma rede extensa de unidades educacionais e milhares de alunos.

Nesse cenário, os resultados precisam ser avaliados por indicadores como:



  • qualidade da infraestrutura escolar;


  • merenda;


  • transporte;


  • número de vagas;


  • alfabetização;


  • desempenho dos estudantes;


  • valorização dos profissionais;


  • manutenção das escolas;


  • educação infantil;


  • inclusão.

A recuperação física das unidades é importante, mas não é suficiente.

O desafio maior será demonstrar melhoria nos indicadores educacionais.


🗑️ Zeladoria e limpeza ganharam espaço na avaliação popular

Entre as áreas que podem produzir percepção imediata sobre uma gestão estão limpeza urbana, coleta de lixo, manutenção de ruas, iluminação e conservação de espaços públicos.

A administração Abilio passou a dar grande importância à chamada zeladoria urbana.

A coleta de lixo, por exemplo, tornou-se uma das áreas utilizadas pela gestão para demonstrar resultados.

A lógica é simples: são serviços que o cidadão vê todos os dias.

Se a rua está limpa, o lixo é recolhido regularmente, praças são conservadas e problemas urbanos são resolvidos com rapidez, a população tende a perceber diretamente a atuação da Prefeitura.

Por outro lado, falhas nesses serviços também produzem reclamações imediatas.


🚍 Transporte público continua sendo problema estrutural

O transporte coletivo é outro desafio que não pode ser considerado resolvido.

Cuiabá possui uma demanda diária de milhares de passageiros e enfrenta problemas relacionados a ônibus, horários, integração, infraestrutura, trânsito e qualidade do serviço.

A administração municipal precisa equilibrar dois interesses:

garantir um serviço de qualidade ao usuário e, ao mesmo tempo, preservar o equilíbrio financeiro do sistema.

Esse equilíbrio é especialmente complexo porque o transporte público envolve tarifas, subsídios, contratos, empresas concessionárias e investimentos.

A avaliação do usuário continuará sendo determinante.


🚧 Infraestrutura urbana ainda exige grandes investimentos

Cuiabá cresceu rapidamente e possui uma série de problemas estruturais acumulados.

Pavimentação, drenagem, asfaltamento, recuperação de ruas, mobilidade, iluminação pública e manutenção de espaços urbanos continuam entre as principais demandas da população.

Os investimentos realizados nos primeiros 18 meses representam avanço, mas a dimensão dos problemas faz com que a Prefeitura ainda tenha um longo caminho pela frente.

A questão central é saber se o caixa positivo permitirá acelerar os investimentos sem comprometer novamente o equilíbrio fiscal.

Esse será um dos grandes desafios da segunda metade do mandato.


🔎 Investigações e crises também marcaram o período

Nem tudo foi positivo para a administração.

O governo enfrentou episódios envolvendo investigações, denúncias, mudanças de secretários e crises políticas.

Um dos casos de maior repercussão envolveu suspeitas relacionadas à Secretaria Municipal de Educação e supostas irregularidades que passaram a ser investigadas pelos órgãos competentes.

É importante destacar que investigação não significa condenação.

Cabe à Justiça e às autoridades responsáveis determinar se houve ou não irregularidades e eventual responsabilização dos envolvidos.

Politicamente, porém, episódios dessa natureza geram desgaste e obrigam o prefeito a responder publicamente sobre a gestão de sua equipe.


👥 Trocas no secretariado

Outra característica dos primeiros 18 meses foi a alteração no comando de algumas secretarias.

Mudanças em equipes de governo podem ter dois significados.

De um lado, podem demonstrar capacidade de correção de rota.

De outro, quando são frequentes, podem transmitir sensação de instabilidade administrativa.

No caso de Abilio, algumas mudanças ocorreram justamente em áreas estratégicas, como Educação e Saúde.

A partir de agora, o desafio será consolidar uma equipe capaz de executar os projetos planejados para o restante do mandato.


🏛️ Relação com a Câmara Municipal

A relação entre Executivo e Legislativo também foi importante para a administração.

Nenhum prefeito governa sozinho.

Projetos de lei, orçamento, alterações administrativas, autorizações, financiamentos e outras medidas dependem da Câmara Municipal.

Ao longo dos 18 meses, Abilio precisou construir uma base de sustentação política e, ao mesmo tempo, lidar com vereadores independentes e críticos.

Essa relação será ainda mais importante na segunda metade do mandato.

Com a aproximação das eleições de 2026, a política estadual passa a influenciar cada vez mais as decisões municipais.


🗳️ Política começa a ocupar espaço maior na gestão

O calendário eleitoral também passou a interferir no ambiente político de Cuiabá.

Abilio é uma das principais lideranças políticas da Capital e seu grupo político está diretamente envolvido nas disputas de 2026.

A movimentação política aumenta a exposição do prefeito e também eleva a cobrança sobre seus resultados administrativos.

Nesse contexto, cada obra entregue, cada indicador financeiro e cada problema enfrentado passa a ter também uma dimensão política.

A população, entretanto, tende a fazer uma avaliação mais simples:

a cidade melhorou ou não melhorou?


📈 Aprovação será o principal termômetro

Pesquisas recentes passaram a mostrar melhora na avaliação popular do prefeito.

Um dos levantamentos divulgados apontou aprovação superior a 50% para Abilio.

Pesquisas eleitorais, porém, são retratos de determinado momento.

A avaliação pode mudar rapidamente conforme a situação econômica, problemas na saúde, obras, segurança, transporte ou acontecimentos políticos.

Por isso, mais importante do que uma pesquisa isolada é observar a tendência.

Se a administração conseguir manter equilíbrio financeiro e transformar recursos em serviços, poderá chegar ao final do mandato em uma posição politicamente fortalecida.


💰 O grande teste: transformar caixa em investimento

A situação financeira apresentada atualmente abre uma nova etapa para a administração.

Durante boa parte do primeiro período, a prioridade foi organizar as contas.

Agora, a população poderá cobrar outra coisa:

onde está o resultado desse ajuste?

Se existe dinheiro disponível, o município precisa demonstrar capacidade de transformar parte desses recursos em:



  • novas obras;


  • pavimentação;


  • saúde;


  • educação;


  • mobilidade;


  • infraestrutura;


  • tecnologia;


  • atendimento ao cidadão;


  • políticas sociais.

O risco seria transformar o equilíbrio fiscal em um fim, quando ele deveria ser um instrumento para melhorar a cidade.


⚖️ Balanço: o que avançou e o que ainda preocupa

🟢 Pontos positivos

Finanças:

A apresentação de mais de R$ 250 milhões em caixa e resultado positivo representa um avanço relevante na organização fiscal.

Obras:

A retomada de projetos paralisados e novas entregas fortalecem a imagem de execução da administração.

Controle de gastos:

A gestão adotou uma postura mais rígida em relação às despesas.

Zeladoria:

A Prefeitura ampliou a atenção a serviços que impactam diretamente o cotidiano da população.

Gestão administrativa:

Mudanças de equipe demonstraram disposição para corrigir problemas e reorganizar secretarias.

🟡 Pontos que exigem atenção

Saúde:

Ainda existem demandas históricas que precisam ser enfrentadas.

Infraestrutura:

A cidade possui grande quantidade de ruas e regiões que necessitam de investimentos.

Transporte:

O sistema continua sendo uma questão estrutural.

Educação:

Além das obras, será necessário apresentar resultados concretos de aprendizagem.

Estabilidade administrativa:

As mudanças no secretariado exigem uma equipe cada vez mais consolidada.

Investigações:

Casos envolvendo integrantes ou ex-integrantes da administração exigem transparência e respostas públicas.


🔮 O que esperar dos próximos 18 meses

A segunda metade do mandato será completamente diferente da primeira.

O período inicial foi marcado pela tentativa de organizar a casa.

Agora começa a fase de mostrar resultados.

Abilio terá que decidir onde concentrar os recursos disponíveis e quais obras serão prioritárias.

Também terá que lidar com um ambiente político muito mais intenso.

A eleição de 2026 colocará Cuiabá no centro das disputas estaduais e poderá aumentar a pressão sobre a administração.

O prefeito terá, portanto, dois desafios simultâneos: administrar a cidade e preservar sua força política.


📌 Conclusão

Após 18 meses, o governo Abilio Brunini pode ser definido como uma administração que apostou fortemente na reorganização financeira e administrativa, tentando construir uma nova imagem para a Prefeitura de Cuiabá.

O resultado mais expressivo apresentado pela gestão é a situação das contas municipais, com resultado positivo e mais de R$ 250 milhões em caixa.

Mas esse número, sozinho, não encerra a avaliação.

O verdadeiro julgamento da administração acontecerá quando a população perceber se o dinheiro economizado e acumulado será convertido em serviços públicos melhores, obras concluídas e qualidade de vida.

Abilio recebeu uma cidade com problemas acumulados e passou os primeiros 18 meses tentando reorganizar a máquina.

Agora, porém, a cobrança muda.

O discurso de recuperação precisa dar lugar à entrega.

Se os próximos 18 meses forem marcados pela transformação do equilíbrio fiscal em investimentos, melhoria da saúde, educação, infraestrutura e zeladoria, o prefeito poderá chegar ao final do mandato apresentando uma narrativa consistente de mudança.

Caso contrário, o caixa positivo poderá acabar sendo visto apenas como um bom resultado contábil, sem a mesma força na avaliação cotidiana do cidadão.

A segunda metade do governo será, portanto, decisiva.








































































































































































Cuiabá já viu o discurso de austeridade. Agora, quer ver o resultado nas ruas.




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