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Várzea Grande,23/08/2026

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Funcionária é alvo de operação acusada de desviar mais de R$ 100 mil de clínica odontológica em Cuiabá

Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, teria usado acesso ao sistema financeiro da clínica para cobrar pacientes por Pix, cartões e links vinculados às próprias contas

Redação
Funcionária é alvo de operação acusada de desviar mais de R$ 100 mil de clínica odontológica em Cuiabá Funcionária é alvo de operação acusada de desviar mais de R$ 100 mil de clínica odontológica em Cuiabá

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou nesta quinta-feira (20) a Operação Falso Sorriso, que investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro e golpes contra pacientes de uma clínica odontológica localizada no bairro Campo Velho, em Cuiabá.

Entre os principais alvos da investigação está Arielly Katerine dos Santos, de 31 anos, apontada pela Polícia Civil como suspeita de utilizar a função administrativa e financeira que exercia na clínica para desviar valores pagos por pacientes.

Segundo as investigações, o prejuízo inicialmente identificado ultrapassa R$ 50 mil, mas pode chegar a mais de R$ 100 mil quando considerados tratamentos realizados sem que os respectivos pagamentos tenham sido destinados ao caixa do estabelecimento.

A operação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá) e cumpriu três ordens judiciais de busca e apreensão, além de medidas para afastamento do sigilo de dados telemáticos.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a Polícia Civil, Arielly teria conquistado a confiança dos proprietários e demais funcionários da clínica e, em razão da função que ocupava, passou a ter acesso a informações administrativas e financeiras do estabelecimento.

Entre os dados disponíveis estavam cadastros de pacientes, contratos, parcelas, registros de pagamentos e informações relacionadas aos tratamentos odontológicos.

A suspeita teria utilizado esse acesso para entrar em contato diretamente com pacientes, tanto pessoalmente quanto por meio de seu WhatsApp particular.

Segundo a investigação, ela oferecia supostos descontos ou condições especiais para que os clientes efetuassem os pagamentos diretamente a ela.

Os valores poderiam ser cobrados por meio de Pix, links de pagamento, QR Codes ou máquinas de cartão vinculadas às contas da investigada.

Pagamentos eram ocultados no sistema da clínica

O ponto central do suposto esquema estaria na manipulação dos registros internos.

Conforme a investigação, depois que os pacientes realizavam os pagamentos, Arielly teria alterado ou manipulado os registros da clínica para que os clientes continuassem aparecendo como adimplentes.

Dessa maneira, os tratamentos poderiam prosseguir normalmente, mesmo sem que o dinheiro correspondente tivesse entrado no caixa da empresa.

A prática teria dificultado a identificação imediata dos desvios, uma vez que, no sistema interno, os pacientes apareciam com os pagamentos regularizados.

A investigação também encontrou indícios de cobranças realizadas em nome da própria clínica, inclusive com referências a possíveis consequências para pacientes que não efetuassem os pagamentos.

Mais de 15 pacientes foram identificados

A suposta fraude começou a ser descoberta depois que uma paciente procurou os proprietários da clínica para informar que havia realizado um pagamento por Pix diretamente para uma conta pessoal da então funcionária.

A informação despertou a atenção dos responsáveis pelo estabelecimento, que passaram a realizar uma apuração interna.

Durante a verificação, foram identificados mais de 15 pacientes que teriam passado por situações semelhantes.

A análise inicial apontou contratos que somavam mais de R$ 50 mil.

Entretanto, segundo a Polícia Civil, o prejuízo pode ser ainda maior, podendo ultrapassar R$ 100 mil, considerando os tratamentos que teriam sido realizados sem o correspondente repasse dos valores ao estabelecimento.

Suspeita teria continuado cobrando clientes após demissão

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a conduta atribuída à suspeita após seu desligamento da empresa.

Segundo a Polícia Civil, Arielly teria sido dispensada por justa causa.

Mesmo depois da demissão, porém, ela teria continuado entrando em contato com pacientes.

A investigação aponta que a suspeita teria se apresentado novamente como funcionária da clínica e realizado novas cobranças em nome do estabelecimento.

Essa conduta passou a fazer parte do conjunto de informações analisadas pelos investigadores para compreender a extensão do suposto esquema.

Polícia apreendeu celulares e computadores

Durante a Operação Falso Sorriso, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão.

A intenção é localizar elementos que possam confirmar a dinâmica das cobranças, identificar outras possíveis vítimas e dimensionar o prejuízo causado à clínica e aos pacientes.

Entre os materiais que poderiam ser apreendidos estão celulares, computadores, máquinas de cartão, documentos e outros dispositivos ou registros relacionados às transações financeiras.

O afastamento do sigilo de dados telemáticos também deverá permitir aos investigadores analisar comunicações e informações digitais que possam estar relacionadas às supostas fraudes.

Investigação ainda pode revelar novas vítimas

A Polícia Civil não descarta que o número de vítimas aumente durante o avanço das investigações.

A análise dos materiais apreendidos poderá permitir a identificação de outros pacientes que tenham realizado pagamentos diretamente à investigada.

Os investigadores também deverão confrontar os dados encontrados nos dispositivos eletrônicos com os registros financeiros e administrativos da clínica.

Com isso, será possível estabelecer com maior precisão o número de transações realizadas, os valores desviados e o período em que o suposto esquema teria funcionado.

Quais crimes são investigados

Arielly poderá responder, conforme os elementos reunidos durante a investigação, por crimes como furto qualificado mediante fraude, furto qualificado pelo abuso de confiança e estelionato.

A definição dos crimes e eventual responsabilização dependerão do avanço das investigações e da análise das provas reunidas pela Polícia Civil.

A investigação também poderá apontar outros delitos, caso sejam identificadas novas condutas durante a análise do material apreendido.

É importante ressaltar que a condição de investigada não significa condenação. A eventual responsabilidade criminal deverá ser analisada pelas autoridades competentes dentro do devido processo legal.

Operação Falso Sorriso

O nome da operação faz referência ao segmento de atuação da empresa investigada e à suposta utilização da estrutura de uma clínica odontológica para a prática dos crimes investigados.

A operação busca esclarecer não apenas a origem dos valores identificados, mas também a extensão do esquema e a eventual existência de outras pessoas envolvidas.

A Polícia Civil continuará analisando documentos, equipamentos eletrônicos, registros de pagamentos e comunicações para reconstruir a movimentação financeira.

Polícia Civil pede colaboração para esclarecer caso

Com a operação, a investigação entra em uma nova etapa.

Os materiais recolhidos deverão passar por análise técnica e poderão fornecer informações importantes para confirmar as suspeitas, identificar novas vítimas e estabelecer o valor exato do prejuízo.

A Polícia Civil também deverá aprofundar a apuração sobre os pagamentos realizados por pacientes e verificar se todos os valores cobrados pela investigada foram desviados ou se existem outras situações ainda não identificadas.

O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Cuiabá.




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