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Várzea Grande,12/08/2026

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Fundão eleitoral de 2026 chega a R$ 4,96 bilhões; veja quanto cada partido vai receber

Valor aprovado para financiar campanhas nas eleições gerais será distribuído entre 30 partidos; PL, PT e União Brasil concentram as maiores fatias

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Fundão eleitoral de 2026 chega a R$ 4,96 bilhões; veja quanto cada partido vai receber Fundão eleitoral de 2026 chega a R$ 4,96 bilhões; veja quanto cada partido vai receber

DA REDAÇÃO

As eleições gerais de 2026 serão financiadas com uma das maiores cifras de recursos públicos já destinadas às campanhas eleitorais no Brasil. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido popularmente como “fundão eleitoral”, terá R$ 4.961.519.777,00 para financiar as candidaturas que disputarão os cargos de presidente da República, governador, senador e deputado federal e estadual.

O valor foi reservado no Orçamento da União para as eleições deste ano e já foi disponibilizado pelo Tesouro Nacional ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por calcular a divisão dos recursos entre os partidos. A transferência dos recursos ocorreu dentro do prazo previsto na legislação eleitoral.

A cifra chama atenção pelo tamanho e também pela concentração dos recursos nas maiores legendas do país. O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, receberá aproximadamente R$ 881,7 milhões, enquanto o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá cerca de R$ 615,4 milhões. O União Brasil ficará com aproximadamente R$ 526,2 milhões.

Somados, os três partidos terão mais de R$ 2 bilhões para suas campanhas nacionais.

O dinheiro, entretanto, não é entregue diretamente pelo TSE aos candidatos. A legislação estabelece critérios para distribuição entre os partidos, e cada legenda define posteriormente como os recursos serão repartidos internamente entre seus candidatos.

De R$ 1 bilhão para quase R$ 5 bilhões

A dimensão do fundo eleitoral de 2026 fica ainda mais evidente quando se observa como o valor foi definido.

Na proposta inicial apresentada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, a previsão para o FEFC era de aproximadamente R$ 1 bilhão. Durante a tramitação do Orçamento, porém, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou a elevação do montante para cerca de R$ 4,9 bilhões.

A decisão foi tomada em setembro de 2025. O relator da instrução normativa que tratou do tema, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), afirmou que a intenção era corrigir o valor inicialmente previsto e aproximá-lo do montante utilizado nas eleições municipais de 2024.

Para viabilizar o aumento, o Congresso reduziu recursos inicialmente destinados às emendas de bancada dos estados e também fez ajustes em despesas não obrigatórias.

Segundo a Câmara dos Deputados, o governo já havia retirado R$ 1 bilhão das emendas de bancada para atender ao fundo eleitoral. Posteriormente, outros R$ 2,9 bilhões foram retirados das emendas, enquanto o restante do ajuste foi realizado sobre despesas não obrigatórias.

O aumento transformou uma previsão inicial de R$ 1 bilhão em uma verba próxima de R$ 5 bilhões para as campanhas eleitorais.

Quanto cada partido receberá

Os valores oficiais divulgados pelo TSE mostram uma forte concentração dos recursos entre as maiores legendas.

O PL aparece na primeira posição, com aproximadamente R$ 881,7 milhões, equivalente a cerca de 17,77% do total.

O PT receberá aproximadamente R$ 615,4 milhões, correspondentes a 12,40%.

O União Brasil terá cerca de R$ 526,2 milhões, ou 10,61% do total.

Na sequência aparecem:

  • PSD: aproximadamente R$ 421 milhões;
  • PP: aproximadamente R$ 417,1 milhões;
  • MDB: aproximadamente R$ 400 milhões;
  • Republicanos: aproximadamente R$ 348,6 milhões;
  • Podemos: aproximadamente R$ 246 milhões;
  • PDT: aproximadamente R$ 169,3 milhões;
  • PSB: aproximadamente R$ 152,3 milhões.

Os valores oficiais são calculados pelo TSE conforme os critérios estabelecidos na legislação eleitoral.

A concentração é expressiva. Apenas PL, PT e União Brasil somam mais de R$ 2 bilhões. Quando PSD e PP são incluídos, os cinco maiores partidos passam a concentrar mais da metade dos recursos disponíveis.

Isso significa que uma parcela significativa do dinheiro público destinado às eleições ficará sob controle das maiores estruturas partidárias.

Partidos médios também terão milhões

Embora a maior parte dos recursos esteja concentrada nas grandes legendas, partidos de médio porte também receberão valores expressivos.

O PSDB terá aproximadamente R$ 147,9 milhões, enquanto o PSOL receberá cerca de R$ 131,5 milhões.

O Solidariedade ficará com aproximadamente R$ 88,5 milhões. O Avante terá cerca de R$ 72,5 milhões e o PRD, aproximadamente R$ 71,8 milhões.

Também aparecem na distribuição:

  • PCdoB: cerca de R$ 60,5 milhões;
  • Cidadania: aproximadamente R$ 60,2 milhões;
  • PV: aproximadamente R$ 45,2 milhões;
  • Novo: aproximadamente R$ 37 milhões;
  • Rede: aproximadamente R$ 35,8 milhões.

Na outra ponta estão partidos com pouca ou nenhuma representação no Congresso Nacional.

O sistema de distribuição previsto em lei faz com que essas legendas tenham acesso principalmente à parcela igualitária do fundo, enquanto partidos com maior representação parlamentar conseguem receber valores significativamente superiores.

Por que os maiores partidos recebem mais?

A distribuição do FEFC não é feita igualmente entre todas as legendas.

A legislação eleitoral estabelece critérios que levam em consideração a representação partidária no Congresso Nacional e o desempenho eleitoral anterior.

Uma parcela dos recursos é distribuída igualmente entre os partidos habilitados. Outra parte considera a votação obtida pelas legendas para a Câmara dos Deputados. Uma fatia ainda maior leva em conta o número de deputados federais eleitos. Também existe uma parcela relacionada à representação no Senado.

Na prática, quanto maior a bancada de um partido, maior tende a ser sua participação no fundo eleitoral.

O modelo cria uma relação direta entre representação parlamentar e capacidade financeira para disputar novas eleições.

É justamente esse mecanismo que faz com que partidos maiores tenham mais condições de financiar campanhas, contratar estruturas profissionais, produzir propaganda e ampliar sua presença eleitoral.

O dinheiro pode ser usado para quê?

O Fundo Eleitoral foi criado para financiar campanhas políticas e pode ser utilizado em despesas relacionadas à disputa eleitoral, respeitando as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

Entre os gastos que podem ser financiados estão produção de material de campanha, propaganda, contratação de serviços, deslocamentos, estrutura de comitês, produção audiovisual e outras despesas diretamente relacionadas à campanha.

O dinheiro é público e, portanto, os partidos e candidatos precisam prestar contas à Justiça Eleitoral.

O TSE disponibiliza sistemas para acompanhamento das receitas e despesas declaradas pelas campanhas, permitindo que eleitores e órgãos de controle acompanhem a movimentação financeira.

O partido decide quanto cada candidato recebe

Um dos pontos mais importantes do sistema é que o TSE define quanto cada partido terá direito a receber, mas não determina previamente quanto cada candidato da legenda receberá.

A própria direção nacional de cada partido estabelece os critérios internos de distribuição.

O TSE informa que os recursos do FEFC somente ficam à disposição das legendas depois que a Comissão Executiva Nacional define os critérios de distribuição entre seus candidatos. A decisão é interna da agremiação, observadas as exigências legais, inclusive as regras relacionadas às cotas de gênero e raça.

Isso significa que dois candidatos do mesmo partido podem receber valores completamente diferentes.

Um candidato considerado prioritário pela direção nacional pode receber uma parcela muito maior do fundo, enquanto outro integrante da mesma chapa pode ter acesso a uma quantia bastante inferior.

Esse mecanismo torna a direção partidária uma peça central das eleições.

O impacto para candidatos de Mato Grosso

Para os candidatos de Mato Grosso, a distribuição do fundo nacional terá impacto direto na estrutura das campanhas.

Deputados estaduais, deputados federais, candidatos ao Senado e candidatos ao Governo do Estado dependerão das decisões das direções partidárias para saber quanto poderão receber do FEFC.

Isso significa que a disputa eleitoral não acontece apenas nas ruas e nas redes sociais. Existe também uma disputa interna dentro dos partidos pela distribuição dos recursos.

Em Mato Grosso, onde diferentes grupos políticos já começaram a definir suas chapas para 2026, a capacidade financeira das legendas será um dos fatores que poderão influenciar a estrutura das campanhas.

Candidatos com maior prioridade dentro dos partidos poderão ter acesso a equipes maiores, produção audiovisual, publicidade e deslocamentos.

Já candidatos com menor participação na distribuição terão de buscar outras fontes permitidas pela legislação, como recursos próprios e doações de pessoas físicas, sempre dentro dos limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Federações ampliam o poder de fogo

Além dos partidos individualmente, as eleições de 2026 também terão a atuação das federações partidárias.

O TSE registra atualmente cinco federações partidárias: União Progressista, Renovação Solidária, Brasil da Esperança, PSDB Cidadania e PSOL REDE.

A mais recente é a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP). O registro foi aprovado pelo TSE em março de 2026.

A existência da federação altera o peso político dos partidos envolvidos, já que as legendas passam a atuar conjuntamente durante o período mínimo previsto na legislação.

No caso de União Brasil e PP, os valores individuais das duas siglas somados representam uma estrutura financeira superior àquela de qualquer um dos dois partidos isoladamente.

A federação formada por PT, PCdoB e PV, por sua vez, também reúne uma quantia expressiva do Fundo Eleitoral.

O cenário demonstra que a força financeira das eleições de 2026 não deve ser analisada apenas pela divisão partido a partido, mas também pela formação de blocos partidários.

As cinco federações registradas

Segundo o TSE, as federações atualmente registradas são:

Federação União Progressista: União Brasil e Progressistas.

Federação Brasil da Esperança: PT, PCdoB e PV.

Federação PSDB Cidadania: PSDB e Cidadania.

Federação PSOL REDE: PSOL e Rede Sustentabilidade.

Federação Renovação Solidária: Solidariedade e PRD.

Essas estruturas deverão atuar conjuntamente durante o processo eleitoral, o que aumenta a importância das negociações internas entre as legendas.

Fundão eleitoral não é o mesmo que Fundo Partidário

Uma dúvida comum entre os eleitores é a diferença entre o Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário.

Apesar de ambos serem recursos públicos destinados às organizações partidárias, eles possuem finalidades diferentes.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) é destinado especificamente ao financiamento das campanhas eleitorais.

Já o Fundo Partidário possui finalidade mais ampla e pode financiar despesas relacionadas à manutenção e ao funcionamento dos partidos, observadas as regras legais.

Portanto, em ano eleitoral, os partidos podem contar com diferentes fontes de recursos públicos, além das receitas privadas permitidas pela legislação.

Isso aumenta a importância da fiscalização das contas partidárias e eleitorais.

De onde vem o dinheiro?

O Fundo Eleitoral é dinheiro público.

Os recursos são previstos no Orçamento da União e, portanto, têm origem nas receitas públicas federais.

O valor aprovado para 2026 integra o orçamento federal sancionado para o exercício. A Lei Orçamentária Anual de 2026 estabeleceu um orçamento total da União superior a R$ 6,5 trilhões.

Dentro desse gigantesco orçamento, o fundo eleitoral representa uma parcela específica destinada às eleições.

O debate sobre o tamanho dessa verba, entretanto, permanece recorrente no país.

Defensores do financiamento público argumentam que o modelo reduz a dependência de empresas e interesses privados e permite que partidos e candidatos tenham recursos para disputar eleições.

Críticos questionam a utilização de bilhões de reais do orçamento público para financiar campanhas e defendem mudanças no sistema.

Transparência será fundamental

Com quase R$ 5 bilhões destinados às campanhas de 2026, o acompanhamento das despesas eleitorais será um dos pontos centrais da fiscalização.

Os partidos deverão declarar à Justiça Eleitoral como os recursos foram utilizados.

Empresas contratadas, fornecedores, serviços prestados, despesas de publicidade e demais movimentações financeiras deverão constar da prestação de contas conforme as regras eleitorais.

O eleitor também poderá acompanhar essas informações por meio dos sistemas disponibilizados pela Justiça Eleitoral.

A fiscalização ganha ainda mais importância porque o dinheiro utilizado nas campanhas pertence ao conjunto da sociedade.

Uma eleição financiada com bilhões de reais

O valor de R$ 4,96 bilhões transforma o financiamento público em uma das principais engrenagens das eleições brasileiras.

A cifra representa recursos suficientes para financiar milhares de candidaturas em todo o país e movimentar uma extensa cadeia de fornecedores, empresas de comunicação, profissionais de marketing, gráficas, produtoras audiovisuais, empresas de tecnologia, transportadoras e prestadores de serviços.

Ao mesmo tempo, a concentração dos recursos entre as maiores legendas reforça o peso das estruturas partidárias tradicionais.

Para os candidatos, conquistar espaço dentro da distribuição interna do partido pode ser tão importante quanto construir uma campanha competitiva nas ruas.

Para o eleitor, o desafio será acompanhar não apenas as propostas apresentadas durante o período eleitoral, mas também a origem e a aplicação dos recursos utilizados para divulgá-las.

As eleições de 2026, portanto, terão uma disputa política acompanhada de uma gigantesca movimentação financeira pública.

Com R$ 4.961.519.777,00 oficialmente destinados ao FEFC, o chamado fundão eleitoral volta ao centro do debate nacional.

O dinheiro já está reservado, os critérios de distribuição entre os partidos estão definidos pelo TSE e as legendas começam a transformar os recursos em estruturas de campanha.

Agora, caberá aos partidos prestar contas e aos órgãos de fiscalização acompanhar a utilização dos valores.

E ao eleitor, além de escolher seus candidatos, acompanhar como bilhões de reais dos cofres públicos serão utilizados para financiar a disputa pelo poder em 2026.

Números oficiais do Fundo Eleitoral de 2026

PartidoValor aproximado
PLR$ 881,7 milhões
PTR$ 615,4 milhões
União BrasilR$ 526,2 milhões
PSDR$ 421 milhões
PPR$ 417,1 milhões
MDBR$ 400 milhões
RepublicanosR$ 348,6 milhões
PodemosR$ 246 milhões
PDTR$ 169,3 milhões
PSBR$ 152,3 milhões

Os valores oficiais completos estão disponíveis no sistema do Tribunal Superior Eleitoral.

Fontes oficiais

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Fundo Especial de Financiamento de Campanha – Eleições 2026.

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — Cálculo da distribuição dos recursos do FEFC para as eleições de 2026.

Câmara dos Deputados — Comissão Mista de Orçamento eleva recursos do Fundo Eleitoral para 2026.




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