Policial penal e mais cinco pessoas são condenados por esquema de tráfico de drogas dentro de presídio em Mato Grosso
Justiça aponta participação de servidor penitenciário na entrada de drogas, celulares e outros ilícitos no Centro de Detenção Provisória de Pontes e Lacerda
Policial penal e mais cinco pessoas são condenados por esquema de tráfico de drogas dentro de presídio em Mato Grosso A Justiça de Mato Grosso condenou um policial penal e outras cinco pessoas por envolvimento em um esquema criminoso que operava dentro do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pontes e Lacerda, município localizado a cerca de 444 quilômetros de Cuiabá.
A sentença foi assinada pela juíza Djéssica Giseli Küntzer, da 3ª Vara da Comarca de Pontes e Lacerda, que concluiu que os réus atuavam de forma organizada para facilitar a entrada de drogas, aparelhos celulares e outros materiais proibidos na unidade prisional.
Entre os condenados está o policial penal Flávio Zanatta, apontado como peça-chave do esquema.
Investigação começou após apreensão de droga em colchão
As investigações tiveram início em maio de 2024, quando policiais penais identificaram uma situação suspeita envolvendo a entrada de um colchão no presídio.
Durante a fiscalização de rotina, o objeto foi submetido a um aparelho de raio-X, que revelou a presença de aproximadamente 422 gramas de maconha escondidas em seu interior.
A descoberta deu início a uma série de apurações que acabaram revelando uma suposta organização criminosa atuando dentro e fora da unidade prisional.
Segundo o Ministério Público, o colchão teria sido adquirido por Karen Carolina Marques da Silva e posteriormente utilizado para transportar a droga até o presídio.
Esquema utilizava nomes de presos para despistar fiscalização
De acordo com a investigação, o colchão tinha como destinatário oficial o detento Rian Rodrigues de Souza Silva.
No entanto, as apurações concluíram que o verdadeiro destinatário do entorpecente seria outro preso, Igor da Silva de Carvalho.
A estratégia consistia em utilizar o nome de terceiros para dificultar a identificação dos envolvidos e evitar suspeitas por parte dos agentes penitenciários.
Ainda conforme o processo, Rian receberia parte da droga como forma de pagamento por permitir a utilização de seu nome na operação.
Outros envolvidos também teriam participado da logística de entrada e distribuição dos entorpecentes dentro da unidade prisional.
Policial penal teria facilitado entrada de ilícitos
A decisão judicial aponta que o policial penal Flávio Zanatta utilizava a função pública para favorecer atividades criminosas dentro do presídio.
Segundo testemunhas ouvidas durante a investigação, o servidor recebia pagamentos para facilitar a entrada de drogas e aparelhos celulares para detentos.
Os depoimentos apontam que os chamados "corres" poderiam custar cerca de R$ 5 mil.
Além disso, a investigação identificou que o policial também comercializaria a senha da rede Wi-Fi da unidade prisional, cobrando aproximadamente R$ 1 mil pelo acesso.
Os materiais proibidos seriam deixados em áreas com pouca fiscalização, permitindo que fossem posteriormente recolhidos e distribuídos entre os detentos.
Tentativa de interferência nas investigações
Outro ponto destacado pela sentença envolve uma suposta tentativa de obstrução das investigações.
Segundo o processo, o policial penal teria oferecido R$ 10 mil a um preso para que alterasse seu depoimento e atribuísse a responsabilidade dos crimes a outros servidores.
Diante da recusa, o condenado teria passado a ameaçar a testemunha e incentivado outros detentos a pressioná-la para modificar sua versão dos fatos.
Essas condutas também foram consideradas pela Justiça durante a definição das condenações.
Condenações
A magistrada considerou que os laudos periciais, documentos, apreensões e depoimentos apresentados durante o processo foram suficientes para comprovar a participação dos acusados no esquema.
Flávio Zanatta foi condenado pelos crimes de:
Tráfico de drogas;
Associação criminosa;
Corrupção passiva;
Facilitação da entrada de celulares em estabelecimento prisional;
Violação de sigilo funcional;
Omissão no dever de impedir acesso de presos a celulares;
Coação no curso do processo.
Os demais réus foram condenados por crimes relacionados ao tráfico de drogas, associação criminosa e, em alguns casos, coação no curso do processo, conforme a participação individual identificada pela Justiça.
Caso ainda pode ter novos desdobramentos
Apesar da condenação, a decisão ainda não é definitiva e cabe recurso às instâncias superiores.
O caso chama a atenção por envolver um servidor responsável pela segurança do sistema prisional e reforça os desafios enfrentados pelas autoridades no combate à criminalidade organizada dentro das unidades prisionais brasileiras.
As investigações também evidenciam a importância dos mecanismos de fiscalização e controle interno para impedir a entrada de materiais ilícitos nos presídios e garantir a segurança do sistema penitenciário.




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