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Várzea Grande,21/07/2026

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Daniel Ortega declara que não haverá mais eleições na Nicarágua

Presidente nicaraguense afirma que oposição não voltará ao poder pelas urnas e amplia preocupações sobre o futuro da democracia no país

Redação
Daniel Ortega declara que não haverá mais eleições na Nicarágua Daniel Ortega declara que não haverá mais eleições na Nicarágua

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o país não realizará mais eleições que permitam à oposição disputar o poder, em uma das afirmações mais contundentes já feitas pelo governo nicaraguense sobre o futuro político da nação. A declaração foi feita durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, em Manágua.

Durante seu discurso, Ortega afirmou que não permitirá que grupos opositores retornem ao governo por meio de processos eleitorais. Segundo ele, os adversários políticos tentariam utilizar as eleições para retomar o poder no país. O presidente também anunciou que pretende trabalhar junto ao Parlamento para aprovar novas medidas destinadas a impedir a atuação dos grupos que classifica como “golpistas” e “traidores”.

A declaração reforça o cenário de crescente concentração de poder na Nicarágua. Ortega, de 80 anos, governa o país desde 2007 de forma ininterrupta, após já ter exercido a Presidência durante a década de 1980. Desde então, seu governo tem sido alvo de críticas de organismos internacionais e entidades de direitos humanos por supostas violações democráticas e repressão à oposição.

Desde 2017, Ortega divide formalmente o comando do país com sua esposa, Rosario Murillo. Em 2025, uma reforma constitucional ampliou ainda mais os poderes do casal ao criar a figura da copresidência e estender o mandato presidencial de cinco para seis anos. As mudanças também aumentaram o controle do Executivo sobre outras instituições do Estado.

A Nicarágua deveria realizar novas eleições gerais em 2026, mas alterações constitucionais transferiram o encerramento do atual mandato para 2027. Críticos afirmam que as reformas reduziram ainda mais os mecanismos de controle institucional e enfraqueceram a participação democrática no país.

Organizações internacionais, incluindo a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU), os Estados Unidos e o Parlamento Europeu, já manifestaram preocupação com a situação política nicaraguense. Relatórios internacionais apontam que o governo Ortega-Murillo ampliou o controle sobre o Judiciário, as forças de segurança e os órgãos eleitorais, além de promover ações contra opositores, jornalistas e organizações civis.







Analistas políticos avaliam que a declaração representa um novo endurecimento do regime e praticamente elimina qualquer expectativa de alternância de poder por meio do voto popular no país centro-americano. A fala de Ortega também intensificou críticas de opositores exilados, que classificam a medida como mais um passo rumo à consolidação de um regime autoritário.




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