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Mehi Arte projeta design indígena do Xingu para o Brasil e o exterior

Projeto liderado por Takula Diago Mehinako recebe fomento da Secel e aposta em tradição, inovação e sustentabilidade para impulsionar nova geração de criadores

Secom/MT
Mehi Arte projeta design indígena do Xingu para o Brasil e o exterior Mehi Arte projeta design indígena do Xingu para o Brasil e o exterior

Cuiabá / Alto Xingu – 02 de março de 2026

Uma iniciativa que nasce no coração do Xingu começa a ganhar projeção nacional e internacional ao unir tradição ancestral, design contemporâneo e empreendedorismo sustentável. O projeto Mehi Arte, liderado pelo artista indígena Takula Diago Mehinako, da aldeia Mehinako, no Alto Xingu, foi contemplado pelo edital MT Criativo da Política Nacional Aldir Blanc – Ciclo I, executado em Mato Grosso pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso.

A proposta foi selecionada na categoria Crescimento Negócio Criativo e/ou Sociocultural, subitem Crescimento Sustentável, com foco no fortalecimento da economia criativa indígena e na consolidação do design do povo Mehinako como referência nacional.


Tradição ancestral com linguagem contemporânea

Na etapa inicial de consultoria, Takula já iniciou a produção de peças a partir da árvore conhecida na região como “pakula”. A criação ocorre na aldeia localizada no entorno do Parque Nacional do Xingu, envolvendo até o momento cerca de 20 indígenas — de um total aproximado de 340 habitantes na comunidade — além de sete colaboradores em Cuiabá.

O projeto integra técnicas tradicionais do Xingu à criação de:

  • Peças exclusivas de decoração

  • Objetos utilitários

  • Acessórios

  • Itens produzidos com fibras naturais e pigmentos vegetais

A proposta é posicionar a arte Mehinako como expressão do design indígena contemporâneo, dialogando com um mercado que valoriza autenticidade cultural e sustentabilidade.


Expansão digital e internacionalização

Entre as metas estratégicas do Mehi Arte estão:

  1. Desenvolvimento de 10 novas peças autorais

  2. Criação de uma plataforma digital com loja online

  3. Ampliação da comercialização para todo o Brasil e exterior

  4. Parcerias com galerias, influenciadores e mercados internacionais

Takula já possui reconhecimento nacional por exposições realizadas em diferentes estados. Agora, o foco é estruturar a cadeia produtiva para garantir escala, posicionamento de marca e inserção internacional.

A proposta inclui investimento em marketing digital e campanhas segmentadas, reforçando a conexão entre identidade cultural e inovação tecnológica.


Formação de jovens e geração de renda

Um dos pilares do projeto é a capacitação de cinco jovens indígenas nas áreas de:

  • Gestão cultural

  • Design

  • Produção

  • Empreendedorismo

A iniciativa busca consolidar uma cadeia produtiva autossustentável dentro da própria comunidade, promovendo geração de renda, qualificação profissional e empoderamento social.

O modelo se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ao estimular economia local, reduzir desigualdades e fortalecer o protagonismo indígena.


Sustentabilidade como princípio

A sustentabilidade ambiental é tratada como fundamento do projeto. A produção utiliza materiais ecológicos e práticas responsáveis de extração e consumo, respeitando os ciclos naturais da região.

A “Pakula”, além de matéria-prima, passa a representar um conceito: tradição transformada em inovação sem ruptura com a identidade ancestral.

O projeto se consolida como modelo de empreendedorismo cultural indígena, demonstrando que tradição e tecnologia podem caminhar juntas.


Investimentos do edital MT Criativo

Na categoria Negócio Criativo e/ou Sociocultural do edital, foram selecionados 55 projetos com valores entre R$ 35 mil e R$ 150 mil, distribuídos da seguinte forma:

  • Semente Criativa: 32 projetos de R$ 35 mil (total de R$ 1,1 milhão)

  • Crescimento Sustentável: 18 projetos de R$ 100 mil (total de R$ 1,8 milhão)

  • Maturidade Empresarial: 5 projetos de R$ 150 mil (total de R$ 750 mil)

Já na categoria Laboratório de Economia Criativa, sete projetos foram contemplados com R$ 300 mil cada, totalizando R$ 2,1 milhões.

Somadas, as duas categorias representam investimento superior a R$ 5,7 milhões, além de complementação de R$ 1,2 milhão para inclusão de mais nove projetos culturais.


Do Xingu para o mundo, o Mehi Arte reafirma que o futuro pode ser ancestral — e que o design indígena contemporâneo é também estratégia de desenvolvimento econômico, cultural e sustentável para Mato Grosso.


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