Profissionais de enfermagem denunciam falta de fiscalização no Hospital Central e cobram atuação urgente do Coren e sindicatos
Unidade recém-inaugurada, administrada por instituição privada, enfrenta denúncias de possíveis irregularidades trabalhistas e pressão sobre profissionais
Por Redação
19/02/2026 - 19h19
Profissionais de enfermagem denunciam falta de fiscalização no Hospital Central e cobram atuação urgente do Coren e sindicatos Profissionais de enfermagem que atuam ou tentaram atuar no Hospital Central, unidade recém-inaugurada e administrada pela instituição privada Albert Einstein, denunciaram ao Portal Várzea Grande Livre uma série de situações que consideram abusivas e cobraram fiscalização urgente do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT) e dos sindicatos da categoria. As denúncias envolvem possíveis irregularidades trabalhistas, exigências consideradas excessivas e falta de acompanhamento dos órgãos responsáveis pela proteção dos profissionais.
Denúncias apontam exigências rígidas e perda de plantão por minutos de atraso
De acordo com relatos feitos por profissionais sob condição de anonimato, uma das principais reclamações envolve a rigidez extrema no controle de horário. Segundo os denunciantes, há uma tolerância máxima de apenas cinco minutos para chegada ao plantão.
Caso o profissional ultrapasse esse limite, mesmo que por poucos minutos, ele seria impedido de assumir o plantão e orientado a retornar para casa, resultando na perda da jornada de trabalho e, consequentemente, da remuneração prevista.
Para os profissionais, a medida é considerada desproporcional e prejudicial, principalmente considerando fatores como deslocamento urbano, trânsito e imprevistos comuns à rotina hospitalar.
Treinamentos fora do horário de trabalho são alvo de questionamentos
Outra denúncia recorrente envolve a realização de treinamentos obrigatórios fora do horário formal de trabalho e, segundo os relatos, sem remuneração correspondente.
Profissionais afirmam que, após a contratação, são convocados a participar de capacitações e treinamentos institucionais que não estariam incluídos na jornada contratual e que, em alguns casos, não seriam remunerados.
De acordo com a legislação trabalhista brasileira, atividades obrigatórias exigidas pelo empregador e relacionadas à função exercida podem ser consideradas tempo à disposição do empregador, o que levanta questionamentos sobre a legalidade da prática, caso confirmada.
Pressão psicológica e desistência de profissionais preocupam a categoria
Os relatos também apontam que muitos profissionais enfrentam forte pressão para se adaptar rapidamente ao modelo de gestão da unidade. Segundo os denunciantes, avaliações frequentes por gestores e coordenadores, aliadas a exigências operacionais rigorosas, têm gerado insegurança e desgaste emocional.
Como consequência, alguns profissionais afirmam que desistiram de atuar na unidade antes mesmo de iniciar efetivamente suas atividades, devido às exigências e ao ambiente considerado excessivamente pressionador.
Outro ponto levantado é a dificuldade enfrentada por profissionais que possuem vínculos com outras unidades de saúde. Segundo os relatos, a dinâmica de funcionamento do hospital exigiria alto nível de disponibilidade, o que pode se tornar incompatível com a realidade de muitos profissionais que precisam manter múltiplos vínculos empregatícios, prática comum na enfermagem brasileira.
Estrutura física é elogiada, mas gestão é alvo de críticas
Apesar das denúncias, os profissionais reconhecem que a estrutura física do hospital é moderna e apresenta excelentes condições materiais. Uniformes, alimentação e alojamentos foram descritos como adequados e compatíveis com o padrão esperado de uma unidade hospitalar de alto nível.
No entanto, as críticas se concentram principalmente na gestão de pessoas e nas práticas administrativas adotadas.
Segundo os denunciantes, o principal problema é a ausência de fiscalização efetiva por parte dos órgãos responsáveis, o que gera sensação de insegurança e vulnerabilidade entre os trabalhadores.
Falta de fiscalização é principal alvo das cobranças
Diante das denúncias, os profissionais cobram uma atuação mais firme do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso (Coren-MT), órgão responsável por fiscalizar o exercício profissional da enfermagem e garantir condições adequadas para o desempenho das atividades.
Também foi cobrada a atuação dos sindicatos da categoria, que possuem a responsabilidade de defender os direitos trabalhistas dos profissionais e acompanhar possíveis irregularidades nas relações de trabalho.
A ausência de fiscalização regular em uma unidade recém-inaugurada e de grande relevância levanta preocupações sobre a proteção dos profissionais e o cumprimento das normas legais e éticas que regem a enfermagem.
Fiscalização é essencial para garantir segurança e legalidade
Especialistas destacam que a fiscalização exercida pelos conselhos profissionais e sindicatos é fundamental não apenas para proteger os trabalhadores, mas também para garantir a segurança assistencial dos pacientes.
Condições de trabalho inadequadas, pressão excessiva e possíveis irregularidades podem impactar diretamente o desempenho dos profissionais e, consequentemente, a qualidade do atendimento prestado à população.
O papel dos conselhos de classe inclui verificar aspectos como:
Condições de trabalho da enfermagem
Dimensionamento adequado de pessoal
Cumprimento das normas profissionais
Regularidade do exercício profissional
Já os sindicatos têm a função de fiscalizar o cumprimento das normas trabalhistas e atuar na defesa dos direitos da categoria.
Espaço aberto para manifestação
O Portal Várzea Grande Livre deixa aberto o espaço para que a direção do Hospital Central, o Coren-MT e os sindicatos da enfermagem se manifestem sobre as denúncias apresentadas.
A transparência e o diálogo institucional são fundamentais para esclarecer os fatos e garantir segurança jurídica e profissional para todos os envolvidos.
Categoria cobra respostas e transparência
A inauguração do Hospital Central representa um avanço importante na estrutura de saúde, mas os profissionais destacam que a valorização da enfermagem deve caminhar junto com a modernização física das unidades.
Para a categoria, não basta ter uma estrutura moderna. É fundamental que existam condições justas, respeito aos direitos trabalhistas e fiscalização efetiva.
A enfermagem é a base do funcionamento hospitalar, e garantir sua proteção é essencial para todo o sistema de saúde.
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