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Várzea Grande,24/02/2026

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Josevan Santos

Piso salarial da enfermagem é desfigurado, mas Cofen e Coren-BA convidam Lula para evento com honras

Enquanto a categoria amarga frustrações, conselhos se aproximam do poder político que enfraqueceu a luta da enfermagem

Lula no Cebcenf
Piso salarial da enfermagem é desfigurado, mas Cofen e Coren-BA convidam Lula para evento com honras Piso salarial da enfermagem é desfigurado, mas Cofen e Coren-BA convidam Lula para evento com honras

A enfermagem brasileira vive um momento de indignação. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) desfigurar o piso salarial nacional da categoria com aval direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entidades que deveriam defender os profissionais — como o Cofen (Conselho Federal de Enfermagem) e o Coren-BA (Conselho Regional da Bahia) — surpreenderam negativamente ao convidar Lula com “honras” para a abertura do Cebcenf, congresso que ocorre em Salvador.


Piso salarial: de conquista à frustração


Aprovado com grande mobilização da categoria, o piso nacional da enfermagem foi amplamente comemorado em todo o Brasil. Porém, com decisões posteriores do STF que condicionaram os pagamentos à disponibilidade orçamentária e limitaram repasses federais, a medida se tornou inócua para milhares de profissionais, sobretudo em estados do Norte e Nordeste.


Na prática, muitos enfermeiros seguem ganhando abaixo do previsto, sem cronograma de adequação salarial, e ainda com pressão aumentada nas unidades de saúde.


O silêncio cúmplice dos conselhos


Diante desse cenário, a atitude do Cofen e do Coren-BA de prestigiar Lula gerou revolta entre profissionais da base. Em vez de pressionar o governo federal por soluções concretas e questionar o STF, os conselhos parecem optar pelo alinhamento político.


A crítica mais dura vem da Bahia. Davi Apóstolo, atual presidente do Coren-BA, eleito com apoio do movimento “Soldados da Enfermagem” prometendo independência e fiscalização rigorosa, agora é acusado de atuar como um “turista oficial em Brasília”.


Em vez de estar presente nos municípios onde a enfermagem agoniza, como Catu, Alagoinhas, Santo Antônio de Jesus e Salvador, Davi realiza constantes viagens à capital federal — o que muitos já identificam como movimento de pré-campanha para 2026.


Um padrão de aparelhamento?


A estratégia não é inédita. Outros ex-presidentes de Corens já trilharam caminhos semelhantes, como Bruno Farias (Minas Gerais), Ana Paula (Ceará) e Dr. Gilmar (Pernambuco), todos depois se lançando à política. A estrutura dos conselhos, bancada com contribuições obrigatórias da categoria, vem sendo usada como trampolim eleitoral — sob o pretexto de lutar por melhorias.


Mas a base da enfermagem cobra resultados reais. O movimento “Soldados da Enfermagem”, que apoiou Davi, agora exige coerência:


> “Cadê o piso? Cadê a fiscalização? O que mudou de verdade? Não elegemos representantes para servirem políticos — queremos ações concretas”, declarou um membro do movimento.

O show da política em Salvador


O ponto alto da crítica recai sobre o CEBCENF 2025, que acontece em Salvador. A presença de Lula na cerimônia de abertura, promovida como “honra institucional” por Cofen e Coren-BA, revoltou grande parte da categoria. Para muitos, é inaceitável bajular justamente o líder político que colaborou com a desfiguração do piso da enfermagem.


A situação se agrava porque o evento será amplamente coberto por mídias públicas e redes do governo, o que demonstra uma tentativa clara de instrumentalização política.

Conclusão: quando o conselho vira palanque


A enfermagem brasileira exige mais que discursos, eventos e selfies com autoridades. A categoria quer respeito, valorização real e um conselho que represente seus interesses — não um palanque político disfarçado de órgão técnico.


A tentativa de aproximar-se de Lula após ele e o STF desmontarem a principal conquista da enfermagem é um insulto à categoria, que diariamente luta para manter o sistema de saúde funcionando.


Enquanto conselhos forem usados como escada para projetos pessoais, PECs como a 19 jamais sairão do papel. E o piso salarial continuará sendo só mais uma promessa enterrada nas gavetas da burocracia.

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