Josevan Santos
Dois lados, duas multidões: o abismo entre as ruas da direita e da esquerda
Nas ruas do Brasil, a diferença entre as manifestações da direita e da esquerda salta aos olhos — enquanto um lado reúne multidões e ocupa avenidas inteiras, o outro enfrenta dificuldades para mobilizar apoiadores.
Nos últimos meses, o cenário político brasileiro voltou a se expressar com força nas ruas. No entanto, uma diferença gritante tem chamado atenção: a capacidade de mobilização da direita frente à fragilidade das manifestações da esquerda.
No último final de semana, imagens aéreas de duas manifestações ocorridas em datas próximas escancararam o contraste. De um lado, um mar de camisetas amarelas, bandeiras do Brasil e milhares de pessoas reunidas em apoio a pautas conservadoras e críticas ao atual governo. De outro, um grupo bem menor, com faixas e cartazes em defesa de pautas progressistas, sob guarda-chuvas e com visível esvaziamento.
A diferença não está apenas no número de participantes, mas também na energia dos eventos. Palcos, caminhões de som, artistas e políticos marcaram presença na manifestação da direita, enquanto a esquerda enfrentou um ambiente mais discreto, com pouca adesão e menor repercussão midiática.
Especialistas apontam que essa diferença pode estar ligada a diversos fatores: desgaste do governo atual, falta de articulação das lideranças de esquerda, e até o momento político mais favorável à oposição. Enquanto isso, a direita, mesmo sem ocupar cargos de poder, tem mostrado mais capacidade de mobilização popular — algo que era justamente o ponto forte da esquerda em décadas anteriores.
A pergunta que fica é: onde está a militância que, até pouco tempo atrás, era símbolo de resistência? E será que esse abismo nas ruas reflete um novo equilíbrio (ou desequilíbrio) de forças na política nacional?



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