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Várzea Grande,23/08/2026

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Cattani admite insatisfação no PL com aliança ao MDB e minimiza apoio de prefeitos a Pivetta

Deputado estadual afirma que união com o MDB desagradou parte da base bolsonarista, mas descarta punições a prefeitos que declararam apoio ao governador Otaviano Pivetta

Redação
Cattani admite insatisfação no PL com aliança ao MDB e minimiza apoio de prefeitos a Pivetta Cattani admite insatisfação no PL com aliança ao MDB e minimiza apoio de prefeitos a Pivetta

A aliança entre o Partido Liberal (PL) e o MDB para as eleições de 2026 continua gerando repercussões dentro do cenário político de Mato Grosso. Nesta semana, o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) reconheceu publicamente que parte da militância e de lideranças da legenda está insatisfeita com a aproximação entre os dois partidos, especialmente após o apoio de diversos prefeitos ligados ao PL à candidatura à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

A declaração ocorreu após a divulgação de uma carta assinada por 133 dos 142 prefeitos de Mato Grosso em apoio à candidatura de Pivetta. Entre os signatários estão gestores filiados a partidos que integram oficialmente a coligação encabeçada pelo senador Wellington Fagundes (PL), principal adversário do atual governador na disputa pelo Palácio Paiaguás.

Segundo Cattani, a adesão de prefeitos à candidatura de Pivetta não pode ser interpretada apenas como um problema de organização interna do PL, mas como consequência de decisões políticas que não agradaram parte da base partidária.

Aliança com MDB continua gerando desconforto

Durante entrevista, o parlamentar foi direto ao apontar um dos principais motivos para o descontentamento de membros do partido.


"Na minha opinião, o partido fez algumas coisas que não agradou as pessoas, por exemplo a união com o MDB, muitos estão descontentes com isso, mas está feito e tem que seguir adiante", declarou.


A fala reforça um sentimento que já vinha sendo demonstrado por lideranças bolsonaristas em Mato Grosso desde a confirmação da aliança entre PL e MDB.

Nos bastidores, a aproximação com o MDB tem sido alvo de críticas por parte de setores conservadores que historicamente fizeram oposição ao partido. O desconforto aumentou ainda mais após a composição que levou a deputada estadual Janaina Riva (MDB) para a disputa ao Senado na mesma aliança que apoia Wellington Fagundes ao Governo do Estado.

A decisão provocou reações dentro do próprio PL, especialmente entre apoiadores do deputado federal José Medeiros (PL), que também disputa uma vaga no Senado e possui forte identificação com o eleitorado bolsonarista.

Prefeitos demonstram independência política

Apesar da repercussão causada pela carta de apoio a Pivetta, Cattani minimizou o impacto político da movimentação e afirmou que os prefeitos possuem autonomia para escolher seus candidatos.

Segundo ele, a influência dos gestores municipais sobre o voto do eleitor já não possui o mesmo peso de décadas anteriores.

"Todo mundo é livre, até porque essa história de que prefeito domina os votos da cidade já é passado. Hoje nós temos uma coisa chamada internet e a população está muito bem informada e cada cidadão pode escolher o seu candidato", afirmou.

A declaração demonstra uma tentativa de reduzir a leitura de que o apoio maciço dos prefeitos possa representar uma fragilidade eleitoral para Wellington Fagundes.

Mesmo assim, analistas políticos avaliam que a adesão de prefeitos ao projeto de reeleição de Pivetta evidencia uma forte articulação municipalista do atual governador e pode impactar diretamente a estrutura de campanha nos municípios do interior.

Punições estão descartadas

Outro ponto abordado pelo deputado foi a possibilidade de punições aos prefeitos filiados ao PL que decidiram apoiar um candidato adversário ao oficialmente escolhido pelo partido.

Para Cattani, qualquer tentativa de sanção seria inadequada e sem efetividade.


"Que punição você pode dar a um prefeito? O prefeito é livre, pode ficar até sem partido. Não existe, não tem nenhum sentido em uma punição a uma pessoa que não tem obrigação de estar no partido."


A posição do parlamentar demonstra que, pelo menos entre parte da bancada estadual do PL, não existe disposição para abrir conflitos internos em meio à campanha eleitoral.

Cenário eleitoral segue indefinido

As declarações de Gilberto Cattani acontecem em um momento delicado para o PL em Mato Grosso. A legenda enfrenta questionamentos de parte do eleitorado conservador sobre alianças consideradas contraditórias com o discurso adotado nos últimos anos.

Enquanto isso, Otaviano Pivetta amplia apoios entre prefeitos e lideranças municipais, fortalecendo sua base política para a disputa eleitoral.

Do outro lado, Wellington Fagundes aposta na força da marca Bolsonaro, na estrutura partidária do PL e na união de partidos aliados para tentar conquistar o Governo do Estado.

Com a campanha ganhando intensidade, a tendência é que as discussões sobre alianças, fidelidade partidária e posicionamento ideológico continuem dominando os bastidores da política mato-grossense.


























O episódio envolvendo os prefeitos mostra que, embora as siglas tenham definido seus caminhos nas convenções, a disputa pelos apoios regionais ainda está longe de ser encerrada.




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