Pivetta mantém Fábio Garcia na vice e articula defesa política de Mauro Mendes após Operação Heritage
Governador deve reafirmar confiança em aliados durante coletiva e sinalizar unidade do grupo político diante dos desdobramentos da investigação da Polícia Federal
Pivetta mantém Fábio Garcia na vice e articula defesa política de Mauro Mendes após Operação Heritage A Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6), continua produzindo fortes repercussões no cenário político de Mato Grosso. Em meio às especulações sobre possíveis impactos eleitorais da investigação, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deve aproveitar uma coletiva de imprensa marcada para esta segunda-feira (10), às 16h30, para reafirmar a permanência do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador em sua chapa e também reforçar sua confiança no ex-governador Mauro Mendes (União).
A expectativa em torno do pronunciamento aumentou nos últimos dias após a operação atingir nomes de destaque da política mato-grossense, incluindo Mauro Mendes e Fábio Garcia. Ambos aparecem entre os investigados no inquérito que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro, uso indevido de informações privilegiadas e possíveis desvios de recursos relacionados ao acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi.
Apesar da pressão política provocada pela investigação, interlocutores do Palácio Paiaguás afirmam que a estratégia do grupo governista será demonstrar unidade e evitar qualquer sinal de enfraquecimento do projeto eleitoral liderado por Pivetta.
Especulações sobre mudança na vice
Desde a deflagração da operação, os bastidores da política estadual foram tomados por especulações sobre uma possível substituição de Fábio Garcia na chapa governista.
A avaliação de parte dos analistas políticos era de que uma eventual troca poderia minimizar desgastes eleitorais durante a campanha de 2026. No entanto, segundo informações apuradas junto a integrantes da base governista, a hipótese perdeu força após uma análise detalhada dos documentos divulgados pela Polícia Federal e da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as medidas cautelares.
A interpretação predominante dentro do grupo é de que não há, até o momento, elementos específicos que apontem envolvimento direto de Fábio Garcia na condução do acordo investigado.
Além disso, aliados destacam que os atos administrativos relacionados ao acordo firmado entre o Estado e a Oi teriam sido conduzidos principalmente pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), e não pela Casa Civil, pasta que era comandada por Garcia à época.
Com esse entendimento, a tendência é que Pivetta utilize a coletiva para encerrar as especulações e confirmar publicamente a manutenção do parlamentar como seu companheiro de chapa.
Defesa de Mauro Mendes
Outro ponto importante da manifestação do governador deverá ser a defesa política do ex-governador Mauro Mendes.
Principal líder do grupo governista em Mato Grosso nos últimos anos, Mendes deixou o cargo em março para disputar uma vaga ao Senado Federal e continua sendo considerado peça-chave na estratégia eleitoral da base aliada.
Nos bastidores, integrantes do grupo avaliam que a Operação Heritage possui forte impacto político e eleitoral, especialmente por ocorrer em meio ao processo eleitoral de 2026.
A leitura de aliados é de que a investigação poderá ser utilizada por adversários para desgastar a imagem do ex-governador e enfraquecer o projeto político construído ao longo dos últimos anos.
Por essa razão, a tendência é que Pivetta adote um discurso firme de confiança em Mauro Mendes, destacando a presunção de inocência e o histórico administrativo da gestão estadual.
Operação Heritage
A Operação Heritage foi deflagrada pela Polícia Federal com autorização do ministro Flávio Dino, do STF.
Ao todo, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
Além das buscas, a Justiça determinou:
Quebra de sigilos bancário e fiscal;
Bloqueio e indisponibilidade de bens de até R$ 316 milhões;
Recolhimento de passaportes;
Proibição de saída do país;
Proibição de contato entre investigados;
Outras medidas cautelares.
A investigação apura a destinação dos R$ 308 milhões pagos pelo Estado de Mato Grosso para encerrar uma disputa tributária envolvendo a operadora Oi.
Segundo a Polícia Federal, existem indícios de que a operação financeira tenha sido utilizada para movimentar recursos por meio de uma complexa estrutura de fundos de investimento e empresas interpostas, dificultando o rastreamento dos valores e de seus beneficiários finais.
Os fatos investigados podem configurar, em tese:
Organização criminosa;
Peculato;
Lavagem de dinheiro;
Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional;
Uso indevido de informação privilegiada.
A PF destaca que as investigações continuam em andamento e que ainda não há condenações ou conclusões definitivas sobre os fatos apurados.
Grupo fecha questão e aposta na unidade
Nas últimas horas, lideranças políticas ligadas ao governador intensificaram reuniões para discutir os impactos da operação e definir uma estratégia de comunicação.
Segundo fontes próximas ao núcleo político do Governo, a orientação é demonstrar coesão e evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como recuo ou divisão interna.
A avaliação predominante é que mudanças na composição da chapa neste momento poderiam transmitir fragilidade ao eleitorado e fortalecer narrativas da oposição.
Por isso, o grupo decidiu manter a estrutura política já anunciada e reforçar publicamente o apoio aos principais aliados atingidos pela investigação.
A coletiva desta segunda-feira é vista como um dos momentos mais importantes desde a deflagração da Operação Heritage, pois deverá sinalizar de forma clara qual será a postura do governador diante da crise política instalada.
Cenário eleitoral
A investigação surge em um momento decisivo para a política mato-grossense.
Enquanto Otaviano Pivetta busca a reeleição ao Governo do Estado, Mauro Mendes disputa uma vaga ao Senado Federal. No mesmo cenário eleitoral estão nomes como Carlos Fávaro (PSD), Janaina Riva (MDB) e Pedro Taques (PSB), que também concorrem ao Senado.
O impacto político da Operação Heritage ainda é incerto, mas a movimentação dos bastidores indica que o grupo governista pretende transformar a defesa de seus aliados em uma das principais bandeiras da campanha nos próximos meses.
A estratégia passa por reforçar o discurso de confiança nas instituições, defender a legalidade dos atos praticados durante a gestão estadual e sustentar que os investigados terão oportunidade de apresentar suas versões ao longo do processo.
Enquanto isso, a sociedade acompanha os desdobramentos da investigação que colocou sob os holofotes algumas das principais lideranças políticas de Mato Grosso e que promete influenciar diretamente o debate eleitoral de 2026.




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