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Várzea Grande,20/07/2026

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PF aponta lavagem de R$ 304 milhões em empresas de fachada ligadas à fraude bilionária no INSS

Investigação da Operação Sem Desconto identificou empresas registradas em um pequeno sobrado no Distrito Federal; esquema teria movimentado centenas de milhões de reais oriundos de descontos indevidos em benefícios previdenciários

Redação
PF aponta lavagem de R$ 304 milhões em empresas de fachada ligadas à fraude bilionária no INSS PF aponta lavagem de R$ 304 milhões em empresas de fachada ligadas à fraude bilionária no INSS

A Polícia Federal (PF) apontou que empresas registradas em um pequeno sobrado localizado no Recanto das Emas, no Distrito Federal, teriam sido utilizadas para lavar mais de R$ 304 milhões supostamente desviados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso integra as investigações da Operação Sem Desconto, que apura um esquema bilionário de descontos não autorizados aplicados sobre benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país.

Segundo o relatório da PF, os valores estariam relacionados à atuação da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), entidade que, de acordo com os investigadores, teria arrecadado cerca de R$ 708 milhões por meio de cobranças consideradas irregulares.

As apurações revelaram que diversos CNPJs foram registrados no mesmo endereço em nome de pessoas ligadas à Conafer e também à Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), outra entidade que aparece nas investigações. Apesar de os registros indicarem atividades comerciais variadas, os investigadores sustentam que a estrutura física encontrada no local é incompatível com o volume financeiro movimentado pelas empresas.

De acordo com a Polícia Federal, o imóvel abriga salas de aproximadamente 20 metros quadrados, algumas aparentemente sem funcionamento regular. Para os investigadores, essa característica reforça a suspeita de que as empresas tenham sido utilizadas como instrumentos para ocultação da origem dos recursos, prática conhecida como lavagem de dinheiro.

Relação familiar e movimentações financeiras

Entre os nomes citados no relatório estão Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior e Lucineide dos Santos Oliveira, apontados como irmãos. A investigação identificou uma relação profissional entre ambos, com Lucineide exercendo atividades em uma das empresas vinculadas ao grupo.

Segundo o inquérito, ela teria recebido remuneração mensal de R$ 20 mil para atuar em parceria com Samuel. Os dados levantados pela PF indicam que a colaboração profissional entre os dois ocorreu entre os anos de 2022 e 2025.

Além deles, Cícero Marcelino de Souza Santos também aparece entre os investigados. A Polícia Federal solicitou o indiciamento dos envolvidos por crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas públicos e lavagem de dinheiro.

Empresa registrada em endereço de igreja

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a identificação de uma empresa registrada em um endereço onde funciona uma igreja evangélica, também localizada no Recanto das Emas.

Durante diligências realizadas no local, a equipe encontrou apenas a instituição religiosa em funcionamento. Mesmo assim, registros oficiais indicavam que uma empresa ligada a Samuel Chrisóstomo continuava ativa naquele endereço.

Para a PF, a situação reforça a hipótese de utilização de empresas sem atividade operacional efetiva para movimentação e ocultação de recursos financeiros.

Prejuízo pode chegar a R$ 6 bilhões

O relatório integra a primeira fase conclusiva da Operação Sem Desconto, que investiga descontos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas do INSS.

Segundo estimativas da Polícia Federal, os prejuízos provocados pelo esquema podem alcançar aproximadamente R$ 6 bilhões. A investigação atual concentrou esforços sobre a estrutura ligada à Conafer, mas novas apurações devem avançar sobre outras entidades e possíveis participantes do esquema.

Os investigadores sustentam que a organização possuía uma estrutura hierárquica definida, com divisão de funções e núcleos específicos de atuação, características que levaram a PF a enquadrar a associação como uma organização criminosa.

Planilhas de propina e indiciamentos

Durante a investigação, a Polícia Federal afirma ter encontrado planilhas contendo registros de supostos pagamentos de propina. Conforme o relatório, os valores anotados apresentariam compatibilidade com movimentações bancárias identificadas ao longo das apurações.

Entre os citados, o ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, teria recebido pelo menos R$ 6,5 milhões, enquanto o ex-diretor do INSS André Paulo Félix Fidelis teria recebido aproximadamente R$ 3,4 milhões, segundo a investigação.

Ao todo, 48 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal nesta etapa do inquérito. O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá remeter o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A partir de agora, caberá à PGR analisar as provas reunidas e decidir se apresentará denúncia formal contra os investigados.

Escândalo ganhou repercussão nacional

O caso ficou conhecido nacionalmente como a "Farra do INSS" e envolve suspeitas de descontos associativos realizados sem autorização de aposentados e pensionistas. As investigações tiveram início após denúncias e reportagens que apontaram crescimento expressivo na arrecadação de entidades que realizavam cobranças diretamente nos benefícios previdenciários.
























Com o avanço das apurações, a operação resultou em uma série de medidas judiciais, afastamentos e indiciamentos, tornando-se uma das maiores investigações sobre fraudes envolvendo recursos previdenciários dos últimos anos no Brasil.




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