Crise financeira, embate político e rumores de impeachment estremecem a Prefeitura de Várzea Grande
Mesmo com recorde de emendas parlamentares, prefeita Flávia Moretti alega falta de recursos; vereadores denunciam má gestão, uso indevido da máquina pública e apontam risco de impeachment em Várzea Grande.
Várzea Grande, MT — A administração da prefeita Flávia Moretti (PL) chega ao seu primeiro ano marcada por uma das maiores crises políticas e financeiras da história recente do município. Apesar do discurso de austeridade, o governo enfrenta acusações de má gestão, falta de transparência e uma crescente ruptura entre o Executivo e o Legislativo municipal, que já acendeu o alerta de possíveis desdobramentos jurídicos e políticos, incluindo rumores de um pedido de impe
I. Crise financeira e contradições na narrativa
Desde o início de 2025, Flávia Moretti tenta sustentar a versão de que herdou uma prefeitura em colapso financeiro. Segundo dados divulgados pela própria gestão, o rombo deixado pela administração anterior ultrapassa R$ 140 milhões, entre dívidas com fornecedores, precatórios e contratos suspensos.
Entretanto, o discurso da prefeita vem sendo duramente contestado por vereadores, que apontam contradições claras entre o cenário de “caos fiscal” e o recorde histórico de emendas e repasses recebidos pelo município neste mesmo período.
📊 Segundo dados da Câmara Municipal e de portais de transparência, Várzea Grande recebeu em 2025 mais de R$ 120 milhões em emendas parlamentares federais e estaduais, destinadas a obras de pavimentação, saúde, infraestrutura e saneamento básico.
> “Nunca se recebeu tantas emendas em tão pouco tempo. A prefeita diz que não tem dinheiro, mas o que falta é gestão e prioridade. O DAE, por exemplo, continua abandonado”, declarou o vereador Wanderley Cerqueira (MDB), um dos críticos mais duros da atual administração.
Mesmo com o fluxo expressivo de recursos, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) — um dos setores mais sensíveis e reclamados pela população — não recebeu investimentos significativos. Moradores seguem enfrentando falta d’água, equipamentos antigos e constantes panes nas bombas de captação.
II. Clima tenso entre Executivo e Legislativo
O embate entre a prefeita e a Câmara Municipal ganhou contornos mais duros nas últimas semanas. Parlamentares acusam Flávia Moretti de centralizar decisões, ignorar indicações legislativas e atuar com postura autoritária.
Entre os pontos mais polêmicos estão:
A disputa pelo valor do duodécimo repassado à Câmara;
O veto da prefeita à lei que exige formação superior para secretários municipais, derrubado pelo Legislativo;
E a troca constante de secretários e servidores comissionados, que gerou instabilidade interna e críticas sobre uso político de cargos.
A prefeita, por sua vez, tem reagido em tom provocativo. Recentemente, ao ser questionada por vereadores sobre despesas da prefeitura, afirmou que eles “pesquisassem no Portal da Transparência”, em tom de ironia. A fala repercutiu mal dentro da Câmara e aumentou o clima de animosidade entre os poderes.
III. Rumores de abuso de poder e uso irregular da máquina pública
Nos bastidores, vereadores e fontes internas da própria administração afirmam que há indícios de uso indevido da estrutura pública para fins particulares e políticos — o que, se comprovado, pode configurar abuso de poder político e econômico.
Entre os rumores mais comentados estão:
Uso de veículos oficiais em agendas particulares;
Contratações sem licitação com indícios de favorecimento;
Propaganda institucional excessiva, com caráter de promoção pessoal da prefeita;
E até a utilização de servidores públicos em ações políticas e eventos de cunho eleitoral.
Essas suspeitas já levaram parte dos vereadores a estudar a possibilidade de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou até mesmo um pedido formal de impeachment, caso as denúncias sejam confirmadas.
> “O fantasma do impeachment já ronda a Prefeitura de Várzea Grande. O Legislativo não vai se calar diante de possíveis irregularidades”, declarou um vereador sob condição de anonimato.
IV. População dividida e imagem desgastada
Enquanto parte da população ainda mantém confiança na prefeita, sobretudo pela promessa de moralizar a máquina pública, cresce entre os várzea-grandenses a percepção de paralisia administrativa. Serviços essenciais como saúde, limpeza urbana, transporte e abastecimento de água sofrem com atrasos, contratos suspensos e falta de investimentos.
Os moradores também cobram explicações sobre o uso das emendas destinadas à cidade, muitas delas anunciadas com pompa, mas que não resultaram em obras efetivas.
> “Vemos promessas e mais promessas. Enquanto isso, os bairros continuam sem água, as ruas cheias de buraco e os postos sem remédio”, desabafa Luciana Ferreira, moradora do bairro Mapim.
V. Desafios e possíveis cenários
O cenário político de Várzea Grande exige da prefeita Flávia Moretti uma mudança de postura e reconstrução de diálogo institucional. Especialistas alertam que, sem consenso com o Legislativo e com a base política rachada, a governabilidade fica comprometida — e o risco de uma crise institucional irreversível aumenta.
Caso os rumores sobre uso irregular da máquina se confirmem, o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) podem instaurar procedimentos que reforcem o ambiente de instabilidade, abrindo caminho para ações civis e até perda de mandato.
Por outro lado, a prefeita ainda possui espaço para reverter a crise, sobretudo se conseguir demonstrar transparência na aplicação das emendas e retomar obras estruturantes que tragam impacto direto à população.
Várzea Grande vive um momento decisivo. Entre dívidas herdadas, arrecadação instável e um conflito político que ameaça a governabilidade, o município enfrenta uma encruzilhada administrativa. Enquanto a prefeita Flávia Moretti tenta manter o discurso de austeridade, cresce entre vereadores e parte da sociedade o sentimento de que o verdadeiro problema não é a falta de recursos — mas sim a ausência de gestão, planejamento e diálogo.
Se o clima não mudar, o fantasma do impeachment poderá deixar de ser rumor e se transformar no próximo capítulo da política várzea-grandense.
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