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Várzea Grande,24/02/2026

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Racha no PL de Várzea Grande escancara crise de articulação na base da prefeita Flávia Moretti

De aliados a adversários: desgaste político da prefeita envolve vereadores da base, lideranças populares e até seu vice-prefeito. Episódios revelam isolamento crescente e dificuldade em lidar com críticas.

Redação
Racha no PL de Várzea Grande escancara crise de articulação na base da prefeita Flávia Moretti Racha no PL de Várzea Grande escancara crise de articulação na base da prefeita Flávia Moretti

O Partido Liberal (PL) de Várzea Grande vive um racha cada vez mais visível, impulsionado por conflitos internos, exonerações controversas e distanciamento da prefeita Flávia Moretti de sua base aliada. A crise política que se desenrola nos bastidores da segunda maior cidade de Mato Grosso vem à tona com trocas públicas de acusações, enfraquecimento de alianças e críticas quanto à condução da gestão.

Um histórico de atritos: aliados que viraram críticos

Desde que assumiu o comando da prefeitura, Flávia Moretti tem adotado posturas que surpreenderam até mesmo aliados mais próximos. O primeiro sinal de ruptura surgiu ainda no início do mandato, com o vereador Bruno Rios (PL), autor de um projeto de lei que vedava a nomeação de pessoas sem diploma de ensino superior para cargos comissionados. Aprovada pela Câmara, a lei acabou atingindo diretamente o marido da prefeita, Carlos Araújo, nomeado para a Secretaria de Assuntos Estratégicos. A permanência dele no cargo, apesar da lei, gerou desgastes e levantou questionamentos sobre favorecimento pessoal.

Pouco tempo depois, outro gesto causou indignação: a exoneração do então secretário de Assistência Social, conhecido como “Bispo”, bispo Gustavo Duarte.  apontado como liderança comunitária e evangélica com base sólida no município. Segundo fontes políticas, a troca teria sido motivada por pressão da primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, numa tentativa de alinhamento entre gestões. O caso gerou reação até na Assembleia Legislativa, onde o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) criticou duramente a decisão.


Josevan Santos: da confiança ao desprezo

Outro episódio marcante envolveu o técnico de enfermagem Josevan Santos, então filiado ao PL e Líder do movimento “Soldados da Enfermagem”. Josevan havia pedido demissão da rede privada para integrar a gestão municipal, com a promessa de atuar na Secretaria de saúde. No entanto, foi exonerado abruptamente no final de março, sem qualquer justificativa oficial, gerando descontentamento na base eleitoral da prefeita. A demissão foi encarada como traição por membros da enfermagem e políticos que esperavam que a gestão abraçasse suas lideranças.


Vice-prefeito também entrou na linha de fogo

Nem o vice-prefeito, Tião da Zaeli, escapou dos atritos internos. Discursos acalorados atribuídos a ele circularam pelos corredores da prefeitura, dando a entender que há insatisfação quanto à distribuição de cargos e poder, especialmente nas pastas da Educação e das Obras. A crise interna evidencia a centralização de decisões e a resistência da prefeita em partilhar protagonismo dentro da administração.


O novo alvo: vereador Caio Cordeiro

A situação mais recente envolve o vereador Caio Cordeiro, outro membro da base que passou de aliado a opositor. O estopim foi a investigação do vereador sobre o sistema de transporte público municipal, tema sensível na cidade. Segundo ele, a prefeita tentou silenciá-lo ao proibir críticas públicas ao transporte coletivo. Em resposta, Flávia Moretti minimizou a representatividade do vereador em entrevistas, revelando um padrão de conduta já observado em episódios anteriores: quando confrontada por aliados, a prefeita isola e deslegitima, em vez de dialogar.


Análise: um padrão de ruptura e isolamento

A sucessão de atritos não pode ser encarada como fatos isolados. O que se vê é a consolidação de um padrão de relacionamento político problemático: aliados são descartados ao menor sinal de autonomia, e críticas são tratadas como afrontas pessoais. Essa postura tem gerado um isolamento crescente da prefeita, cuja comunicação institucional também é alvo de críticas, especialmente pela falta de respostas a questionamentos públicos e posturas defensivas frente a denúncias ou reclamações.

A gestão de Flávia Moretti parece atravessar uma crise de identidade política: eleita com o apoio de forças conservadoras e do próprio PL, hoje a prefeita não demonstra sintonia nem mesmo com os quadros que a ajudaram a chegar ao poder. Isso levanta dúvidas sobre a solidez da base para as eleições de 2026 e sobre sua capacidade de manter um governo de coalizão.

A fragmentação da base aliada da prefeita de Várzea Grande escancara falhas na articulação política, falta de diálogo interno e personalismo na condução da gestão. Com vereadores, lideranças populares e até o vice-prefeito insatisfeitos, Flávia Moretti corre o risco de encerrar seu mandato com menos aliados do que iniciou. E em tempos de redes sociais e vigilância cidadã, a transparência e a humildade política são exigências, não concessões.

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