Racha no PL de Várzea Grande escancara crise de articulação na base da prefeita Flávia Moretti
De aliados a adversários: desgaste político da prefeita envolve vereadores da base, lideranças populares e até seu vice-prefeito. Episódios revelam isolamento crescente e dificuldade em lidar com críticas.
Racha no PL de Várzea Grande escancara crise de articulação na base da prefeita Flávia Moretti O Partido Liberal (PL) de Várzea Grande vive um racha cada vez mais visível, impulsionado por conflitos internos, exonerações controversas e distanciamento da prefeita Flávia Moretti de sua base aliada. A crise política que se desenrola nos bastidores da segunda maior cidade de Mato Grosso vem à tona com trocas públicas de acusações, enfraquecimento de alianças e críticas quanto à condução da gestão.
Um histórico de atritos: aliados que viraram críticos
Desde que assumiu o comando da prefeitura, Flávia Moretti tem adotado posturas que surpreenderam até mesmo aliados mais próximos. O primeiro sinal de ruptura surgiu ainda no início do mandato, com o vereador Bruno Rios (PL), autor de um projeto de lei que vedava a nomeação de pessoas sem diploma de ensino superior para cargos comissionados. Aprovada pela Câmara, a lei acabou atingindo diretamente o marido da prefeita, Carlos Araújo, nomeado para a Secretaria de Assuntos Estratégicos. A permanência dele no cargo, apesar da lei, gerou desgastes e levantou questionamentos sobre favorecimento pessoal.
Pouco tempo depois, outro gesto causou indignação: a exoneração do então secretário de Assistência Social, conhecido como “Bispo”, bispo Gustavo Duarte. apontado como liderança comunitária e evangélica com base sólida no município. Segundo fontes políticas, a troca teria sido motivada por pressão da primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, numa tentativa de alinhamento entre gestões. O caso gerou reação até na Assembleia Legislativa, onde o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) criticou duramente a decisão.
Josevan Santos: da confiança ao desprezo
Outro episódio marcante envolveu o técnico de enfermagem Josevan Santos, então filiado ao PL e Líder do movimento “Soldados da Enfermagem”. Josevan havia pedido demissão da rede privada para integrar a gestão municipal, com a promessa de atuar na Secretaria de saúde. No entanto, foi exonerado abruptamente no final de março, sem qualquer justificativa oficial, gerando descontentamento na base eleitoral da prefeita. A demissão foi encarada como traição por membros da enfermagem e políticos que esperavam que a gestão abraçasse suas lideranças.
Vice-prefeito também entrou na linha de fogo
Nem o vice-prefeito, Tião da Zaeli, escapou dos atritos internos. Discursos acalorados atribuídos a ele circularam pelos corredores da prefeitura, dando a entender que há insatisfação quanto à distribuição de cargos e poder, especialmente nas pastas da Educação e das Obras. A crise interna evidencia a centralização de decisões e a resistência da prefeita em partilhar protagonismo dentro da administração.
O novo alvo: vereador Caio Cordeiro
A situação mais recente envolve o vereador Caio Cordeiro, outro membro da base que passou de aliado a opositor. O estopim foi a investigação do vereador sobre o sistema de transporte público municipal, tema sensível na cidade. Segundo ele, a prefeita tentou silenciá-lo ao proibir críticas públicas ao transporte coletivo. Em resposta, Flávia Moretti minimizou a representatividade do vereador em entrevistas, revelando um padrão de conduta já observado em episódios anteriores: quando confrontada por aliados, a prefeita isola e deslegitima, em vez de dialogar.
Análise: um padrão de ruptura e isolamento
A sucessão de atritos não pode ser encarada como fatos isolados. O que se vê é a consolidação de um padrão de relacionamento político problemático: aliados são descartados ao menor sinal de autonomia, e críticas são tratadas como afrontas pessoais. Essa postura tem gerado um isolamento crescente da prefeita, cuja comunicação institucional também é alvo de críticas, especialmente pela falta de respostas a questionamentos públicos e posturas defensivas frente a denúncias ou reclamações.
A gestão de Flávia Moretti parece atravessar uma crise de identidade política: eleita com o apoio de forças conservadoras e do próprio PL, hoje a prefeita não demonstra sintonia nem mesmo com os quadros que a ajudaram a chegar ao poder. Isso levanta dúvidas sobre a solidez da base para as eleições de 2026 e sobre sua capacidade de manter um governo de coalizão.
A fragmentação da base aliada da prefeita de Várzea Grande escancara falhas na articulação política, falta de diálogo interno e personalismo na condução da gestão. Com vereadores, lideranças populares e até o vice-prefeito insatisfeitos, Flávia Moretti corre o risco de encerrar seu mandato com menos aliados do que iniciou. E em tempos de redes sociais e vigilância cidadã, a transparência e a humildade política são exigências, não concessões.
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