🗳️ “Diretas Já na Enfermagem”: A voz silenciada da maioria nos Conselhos Cofen/Coren
Técnicos e auxiliares de enfermagem são maioria esmagadora na categoria, mas seguem impedidos de presidir os conselhos que os representam. O discurso de união não pode continuar encobrindo a exclusão institucionalizada.
Josevan Santos📘 Coluna Especial por Josevan Santos
No Brasil, a Enfermagem é o pilar de sustentação da saúde pública e privada. Presente em cada hospital, unidade básica, pronto atendimento e ambulância, essa categoria é composta por mais de 2,8 milhões de profissionais, segundo dados oficiais do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Porém, mesmo sendo a força de trabalho que move a assistência, técnicos e auxiliares de enfermagem continuam invisibilizados na estrutura de poder da própria classe.
E o que deveria ser um sistema representativo – o Cofen/Coren – tornou-se símbolo de concentração de poder e exclusão política.
📊 A verdade em números: quem realmente representa a enfermagem no Brasil?
De acordo com o próprio Cofen, a distribuição de profissionais registrados em 2023 é a seguinte:
1.657.102 técnicos de enfermagem
452.643 auxiliares de enfermagem
690.917 enfermeiros (nível superior)
Somando técnicos e auxiliares, temos 2.109.745 profissionais de nível médio, o que representa cerca de 75,3% de toda a categoria. Ainda assim, os cargos de presidência e vice-presidência dos Conselhos Regionais (Coren) e do Federal (Cofen) são vedados a esses profissionais, como se não fossem capazes de liderar e gerir democraticamente suas entidades.
🧠 Preconceito institucional travestido de “mérito técnico”
Há quem defenda que somente enfermeiros de nível superior devam ocupar a presidência, por “formação acadêmica” ou “preparo técnico”. Essa narrativa, além de elitista, ignora décadas de experiência, liderança prática e conhecimento técnico aprofundado dos profissionais de nível médio, muitos dos quais coordenam equipes inteiras, lideram movimentos, e fazem a gestão de serviços hospitalares complexos.
Essa lógica, na prática, reproduz um sistema de castas dentro da enfermagem, onde o diploma define o direito de fala — e de poder. É a velha política travestida de gestão.
🗣️ "União" como discurso, exclusão como prática
Os discursos que exaltam “a união da enfermagem” se multiplicam nos eventos, lives e notas oficiais dos conselhos. Mas essa retórica de união não se sustenta frente à estrutura institucional excludente.
Como falar em união se 3 em cada 4 profissionais são impedidos de liderar sua própria classe?
Como pedir engajamento de técnicos e auxiliares se lhes é negado o direito básico de representar e decidir?
É preciso encarar o problema de frente: a enfermagem brasileira vive uma crise de representatividade, e ela começa dentro dos próprios conselhos que deveriam defendê-la.
🗳️ Diretas Já: democracia para quem faz a enfermagem acontecer
O movimento por eleições diretas e direito à presidência para técnicos e auxiliares não é contra os enfermeiros. Pelo contrário: é a favor de uma gestão inclusiva, representativa, proporcional e democrática.
A proposta é clara:
Permitir que todos os profissionais de enfermagem, independentemente da formação, possam votar e ser votados para os cargos dos Conselhos;
Garantir proporcionalidade na composição das chapas;
Estimular o debate horizontal, e não hierarquizado, dentro da categoria.
O tempo da submissão acabou. Técnicos e auxiliares querem e merecem ter voz ativa — não apenas como força de trabalho, mas como força política.
🔚 Conclusão: ou muda, ou afasta
Se os conselhos de classe da enfermagem não evoluírem para incluir todos os seus membros, perderão relevância, apoio e legitimidade. A base está cansada. Sem escuta, sem abertura e sem inclusão, não há representatividade verdadeira.
Chegou a hora da mudança.
Diretas Já na Enfermagem!
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